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27 de fevereiro de 2012

O Desafio das APAs no Estado do Rio de Janeiro: IV – APA do Ecossistema Marinho da Baia de Sepetiba

A baia de Sepetiba

A baía de Sepetiba é um ecossistema marinho e estuarino com cerca de 520 km² de superfície e perímetro de 170,5 km, em cujo litoral encontram-se os municípios de Mangaratiba, Itaguaí e Rio de Janeiro. Tem cerca de 95 praias continentais e insulares, manguezais, costões rochosos, 49 ilhas e ilhotas, lajes e uma rica biodiversidade, além de beleza naturais, profundidades e condições oceanográficas abrigadas ideais para diversos usos econômicos.   

A baía pode ser considerada como um ecossistema de uso múltiplo. Seus processos ecológicos, recursos naturais e belíssimas paisagens beneficiam milhões de pessoas, em especial seus usuários diretos e indiretos. Dentre os usos da Baía se destacam a recreação e lazer, a pesca profissional e artesanal, a catação de mexilhões, mariscos e caranguejos; a aqüicultura; a navegação e a infra-estrutura portuária, além de ser um espaço de treinamento militar.

Adicionalmente, é um habitat importantíssimo de milhares de espécies de animais e plantas marinhas e um criadouro de peixes e camarões. A Baía ainda trata gratuitamente toneladas de esgoto domésticos e despejos industriais que lhe chegam através dos canais São Francisco e Guandu e diversos outros canais.  

Os principais usuários da Baía de Sepetiba são:

·         Moradores e veranistas freqüentadores das praias, enseadas e ilhas;
·         Turistas;
·         Terminais Portuários da TK CSA e da Ilha Guaíba, e o Porto de Itaguaí;
·         Hotéis e pousadas localizados na orla continental e nas ilhas, com destaque para o Hotel Méditerraneé Rio das Pedras, Portobello, Pierre e Condomínio Porto Real;
·         Pescadores artesanais e coletores de caranguejos e mariscos;
·         Pescadores amadores;
·         Setor de pesca industrial;
·         Marinas e Clubes Náuticos e proprietários de barcos de lazer;  
·         Setor de estaleiros e indústria naval;
·         Empresa de turismo que operam passeios de saveiro;

Releva destacar que a Baía de Sepetiba é um dos maiores destinos de recreação de uma imensa população da Região Metropolitana, em especial dos segmentos C e D da sociedade.  

Devido principalmente a gestão acéfala, a baia de Sepetiba apresenta diversos conflitos e problemas ambientais, que se agravaram pela inação.

O cenário tendencial da Baía de Sepetiba pode ser assim sumarizado:

·       Degradação progressiva da Baía devido à ocupação excessiva dos costões rochosos por concentrações urbanas, portos, marinas, excesso de barcos, recepção de cargas elevadas de óleo, esgoto e lixo, pela pesca de arrasto e pelo aumento de espécies invasoras vindas nas águas de lastro;
·         Redução de manguezais;
·         Progressiva degradação ambiental das ilhas;
·         Assoreamento excessivo por partículas sólidas carreadas pelos rios e canais que desembocam na Baía de Sepetiba;
·        Desemprego progressivo na indústria turística devido à perda de atratividade dos ambientes naturais causada pela degradação ambiental, pela especulação imobiliária do litoral e pela deteriorização da paisagem causada pelo excesso de empreendimentos portuários; 
·        Esgotamento dos estoques pesqueiros devido a sobrepesca, pesca criminosa, poluição por óleo e a perda de manguezais; 
·         Acirramento de conflitos entre usuários de recursos naturais da Baía; 

Nos últimos trinta anos, algumas iniciativas foram tomadas para reverter a degradação da Baía, como a criação da APA de Mangaratiba e da Reserva Biológica de Guaratiba, o Macroplano de Gerenciamento e Saneamento Ambiental da Bacia da Baía de Sepetiba, o Plano da Bacia Hidrográfica do rio Guandu e o Parque Fluvial do Rio Guandu. A Reserva Biológica de Guaratiba tem cumprido em parte seu papel graças ao apoio do Exército. Os resutados da APA de Mangaratiba são baixos. Jamais teve chefe nomeado e plano de manejo. Desde 2007 mais de 80% da APA foi incorporado ao Parque Estadual Cunhambebe. O Macroplano de Gerenciamento e Saneamento Ambiental da Baía de Sepetiba e o Plano da Bacia Hidrográfica do rio Guandu jamais sairam do papel. O projeto do Parque Fluvial do Rio Guandu fracassou em sua primeira estapa devido a perda dos reflorestamentos. Houve mudança de rumo.    

A solução para o passivo ambiental decorrente do fechamento da Cia. Mergantil Ingá é a ação mais relevante dos últimos anos e a única de sucesso no litoral, engedrada pela SEA e pela extinta FEEMA.      

Proposta da APA do Ecossistema Marinho da Baia de Sepetiba

Em 1998, trabalhando na elaboração do Macroplano de Gestão e Saneamento da Baia de Sepetiba, conheci a baia de Sepetiba em detalhes  a partir de trabalho de campo, onde foi utilizado inclusive sobrevôo de helicóptero, leitura de publicações e inúmeras conversas com atores locais. Naquela época detectamos que APA era uma ferramenta excelente para promover o gerenciamento da baia. Um relatório detalhado foi feito com recomendações para gestão dos usos múltiplos da baia, inclusive com diretrizes para criação da APA, zoneamento e programas para o Plano de Manejo (para acessar o relatório clique aqui).  Infelizmente, o Governo do Estado não viabilizou a iniciativa, de modo que perdemos o protagonismo. O Estado de São Paulo, dez anos depois, dividiu sua zona costeira em três partes e em cada uma criou uma APA.

No inicio de 2009, trabalhando no Governo do Estado, por solicitação superior revi integralmente a idéia de 1998 e voltei a recomendar a proposta da APA da Baia de Sepetiba a partir da extinção da APA de Mangaratiba.  A Secretaria de Desenvolvimento Econômico abraçou a idéia e se comprometeu a buscar apoio financeiro das empresas lá instaladas para a operação. Seria a primeira APA do Estado que nasceria estruturada com sede e equipamentos para funcionar. A iniciativa não foi a frente.    

Se a a conversão da Baía de Sepetiba em uma APA era urgente em 1998, hoje ela é crucial para o futuro da baía. No mundo, uma parte significatuva das áreas costeiras intensamente utilizadas tem um tipo de autoridade ambiental para impor a lei, resolver conflitos, assegurar os usos múltiplos e executar projetos de recuperação. A APA preenche perfeitamente este vácuo, desde que seja estruturada e funcione diretamente vinculada a Superintendência local do INEA.

O modelo tradicional de gestão da Baia de Sepetiba, acéfalo e fragmentado certamente não reverterá as tendências de degradação. E permanecer vinculada à sede do INEA e longe dos acontecimentos é receita do fracasso. A baia precisa ordenar seus usos múltiplos para evitar o acirramento de conflitos e a degradação ambiental e reverter a ocupação caótica do litoral e das ilhas. A ocupação da Ilha de Itacurussá, ditada pelo mercado imobiliário, é um exemplo do que acontece quando o Estado se ausenta. Jaguanum caminha para o mesmo futuro. E ambas encontram-se dentro da APA de Mangaratiba!

A APA do Ecossistema Marinho da Baia de Sepetiba seria formada pelas terras submersas (sedimentos do fundo) e a massa d’água acima destas e pelo litoral, praias e todos as ilhas, praias, manguezais e trechos de costões rochosos, sendo limitada a oeste pelo canal balizado de navegação, que corre de norte para sul, separando-a a APA da Baia de Ilha Grande.          

Para finalizar, eis como vejo a APA da Baia de Sepetiba no longo prazo:

·       Como APA, a baía adquire “status” legal diferenciado, facilitando a condução, pelo Estado, do processo de gestão ambiental, uma vez que APA dispõe de uma base legal definida;
·       Com a criação da APA da Baia de Sepetiba, fica extinta a APA de Mangaratiba;
·       Chefe da APA sendo um servidor concursado do INEA, selecionado e treinado para a função, subordinado diretamente ao Superintendente Regional, provendo liderança e capacidade de articulação;    
·        Conselho Gestor da APA com a presença de representantes do INEA, DRM, FIPERJ, UERJ e outras órgãos do estado (desenvolvimento econômico, transporte, pesca, defesa civil), de órgãos federais (IBAMA, Capitania dos Portos, CDRJ, ANTAQ, etc), das prefeituras de Mangaratiba, Itaguaí e do Rio de Janeiro, sociedade civil e usuários (portos, marinas, pesca, turismo, etc);  
·         Centro de Gerenciamento Ambiental da Baia de Sepetiba (CGABS)  instalado na Vila de Itacurussá, funcionando como sede da APA, com salas do chefe da APA, de técnicos do INEA, FIPERJ, Batalhão Florestal (posto), atendimento ao público, além de cais com embarcação;
·       Sistema geográfico de informações da baia e modelo matemático de circulação operados pelo CGABS;  
·       Zoneamento Ambiental dos Usos Múltiplos construído coletivamente no âmbito do Conselho, apoiado na legislação, de modo a conciliar as diversas atividades e indicar as áreas onde a proteção será mais intensa (mangues, áreas rasas, etc) e aquelas que precisam de recuperação (manguezais, ilhas e costões rochosos degradados, sedimentos contaminados, praias erodidas, etc)  
·       Regulamentos específicos para lazer náutico, pesca, coleta de invertebrados, navegação, água de lastro e outras atividades, emanados pelo INEA, IBAMA e outros instituições.    
·        Câmaras instaladas em pontos estratégicos, com amplas vistas das diversas enseadas, para auxiliar a fiscalização;
·       Estado Ambiental da baia (hidrodinâmica, qualidade das águas e sedimentos, comunidades biológicas do plâncton e bentos, peixes, tartarugas marinhas, cetáceos, praias e manguzais, usos humanos) melhor conhecido graças a pesquisa de um pool de universidades, com financiamento da FAPERJ e dos dados gerados pelos serviços de monitoramento;
·       Situação patrimonial, ambiental e de ocupação de todas as ilhas conhecida;
·       Concentrações de metais pesados no sedimento, biota e seres humanos melhor conhecido;
·       Volume de lixo recebido pelos rios retido em ecobarreiras administradas pelos municípios;  
·        Costões rochosos, praias e manguezais livres de ocupações irregulares;   
·       Lancha do INEA patrulhando diuturnamente a baía, contando com efetivos embarcados do Batalhão Florestal, IBAMA e Polícia Federal; 
·       Pesca artesanal e aquicultura de espécies nativas fortalecidas e pesca de arrasto banida da baia;
·       Todos portos, estaleiros e marinas com Certificados ISO 14.000 e licença ambiental, inspecionados semestralmente pelo INEA;
·         Volume de esgotos reduzido; 
·       Todos os manguezais com limites definidos (poligonal descrita), terras averbadas em cartórios em nome da União e cedidas ao Estado, convertidos em refúgios da vida selvagem ou reserva extrativistas, gerenciadas pela Administração da APA;  
·       Parque Estadual da Baia de Sepetiba criado a partir da recategorização da Reserva Biológica de Guaratiba, ampliado para incorporar trechos de costão rochoso, praias, ilhas desabitadas (há várias), manguezais e parte de algumas enseadas que tenham papel estratégico como refugio e alimentação de filhotes; 
·       Plano de Manejo com projetos de comunicação-educação ambiental, monitoramento, recuperação ambiental, estimulo ao uso múltiplo sustentado e fiscalização;
·       Centro de Visitantes da Baia de Sepetiba, instalado em Itaucurussá e operado pela Turisrio, recebendo milhares de estudantes, moradores e turistas em busca de informações sobre o ecossistema e sobre o que há para ver e fazer na baia e na costa, impulsionando o turismo e a geração de empregos;   

Com a APA, será possivel ao INEA ratear custos de gestão com as Prefeitura e os principais usuários, unificando por exemplo os diversos programas de monitoramento em execução, por serem requisitos de licenças, em um só para toda a Baia.     
  
Por fim, cabe assinalar que a criação da APA regulamenta o artigo 269, VI da Constituição Estadual, que determina claramente a necessidade de um tipo especial de proteção para a Baía de Sepetiba. 

Paulo Bidegain

O Desafio das APAs no Estado do Rio de Janeiro: V - A APA Marinha da Baia de Ilha Grande

A criação da APA da Baia de Ilha Grande é um desafio mais trabalhoso que a da APA da Baia de Sepetiba. Para dar certo, depende de um acordo reunindo principalmente o INEA, ICMBio, IBAMA, Prefeituras de Angra dos Reis e Paraty, sociedade e usuários econômicos (ong’s ambientalistas, pescadores, catadores, marinas, estaleiros, portos, usina nuclear, empresas de navegação, empresas de passeios de escuna e outros).

Instituir a APA sem planejamento de longo prazo irá piorar o quadro confuso de diversas unidades de conservação com zoneamento superpostos, que foram criadas isoladamente ao longo dos anos, sem olhar para a baía como um todo. Será adicionar mais sal em um prato já salgado, matando a iniciativa, sem duvida estratégica para o futuro da baia. A APA da Baia de Ilha Grande só é viavel no futuro a partir de um rearranjo das unidades de conservação federais, estaduais e municipais, de tal sorte que a baia inteira seja uma única APA com um único zoneamento ecológico-econômico que defina oficialmente o uso futuro de cada espaço marinho tridimensional, ilha, praia e de trechos do litoral mais próximo.

Desde 2009 tenho defendido este ponto de vista, tendo abordado o assunto novamente em abril de 2010, em artigo neste blog.     

O Ecossistema Marinho da Baia de Ilha Grande

A baia de Ilha Grande é um ecossistema marinho que apresenta as seguintes características:

·         Superfície total de 1.728 km², sendo 203 km² correpondendo as ilhas;  

·         Litoral continental e insular com 757 km;

·         187 ilhas, ilhotes, lajes e parcéis. As maiores ilhas são Grande, Jipóia, Algodão, Araújo e Sandri, seguidas de Cunhambembe, Araraquara, Cedro, Meros, Jorge Grego, Paquetá, dos Porcos Grandes, Cedro, Mantimento, Cairucú, das Pedras e Macacos.  A propalada existência de 365 ilhas é um engodo;

·         Principais Cidades e Vilas Litorâneas: Angra dos Reis, Monsuaba, Jacuacanga, Frade (Cunhambebe), Mambucaba, Vila do Abraão e Provetá (Município de Angra dos Reis); Paraty, Tarituba, Taquari, São Roque, Barra Grande, Corumbê e Paraty Mirim (Município de Paraty)

·         Principais tipos de usos: Habitat de milhares de espécies nativas, banho, recreação e natação nas praias; surf, iatismo e lazer náutico, passeio de escunas, mergulhos contemplativos, pesca artesanal de linha e rede, pesca industrial (arrasto, cerco e espinhel), amadora (embarcada ou na praia) e submarina, coleta de invertebrados em manguezais e costões rochosos (mexilhões, ostras), maricultura (produção de mexilhão Perna perna e vieira Nodipecten nodosus), transporte interno de passageiros, infra-Estrutura Portuária para Navegação Oceânica e suprimento de água para refrigeração industrial (Usina Nuclear);

·         Principais empreendimentos litorâneos: Porto de Angra dos Reis, Terminal da Baía de Ilha Grande – TEBIG, Central Nuclear de Angra dos Reis, Estaleiro Brasfel, Marinas, Condomínios e Complexos Hoteleiros, Colégio Naval, Atracadouros da Barcas SA, Parque Estadual da Ilha Grande, Reserva Biológica da Praia do Sul, Parque Nacional da Bocaina e Estação Ecologica de Tamoios;   

·         Impactos principais: Eutrofização, poluição por óleo, redução do espelho de água, alteração hidrodinâmica e de movimentação de sedimentos, assoreamento, redução de biodiversidade marinha, redução dos estoques de peixes e camarões, perda de oportunidades de geração de empregos e renda;

Gestão Tradicional  

A gestão tradicional da baia de Ilha Grande sofre da mesma sindrome da baia de Sepetiba, sendo pulverizada, incompleta e ineficiente devido a falta de uma instituição que lidere o processo. É impossivel e inútil gerenciar a pesca em um ecossistema, isolada dos demais usos.

Merece destacar dois desafios a serem superados: o excesso de zoneamento e de colegiados. Quanto ao primeiro, visando proteger os ecossistemas da região da baia de Ilha Grande, aqui entendido como o ecossistema marinho da baia e sua bacia hidrográfica, os Governos Federais e Estaduais criaram diversas unidades de conservação a partir de 1971, todas de forma isolada e sem visão de planejamento regional.  

Infelizmente, quase todas permanecem em estágio rudimentar de implantação. O  mais avançado aparentemente é o Parque Estadual da Ilha Grande, graças aos salto que deu entre 2007-2009, embora tenha sofrido um processo lento de estagnação pouco depois. O Parque Nacional da Serra da Bocaina (1971) inaugurou a série, e fazia parte de um pacote que envolvia os empreendimentos da BR-101 e a Usina Nuclear. Os dois últimos saíram do papel e foram implantados. A Usina Nuclear esta sem sua terceira unidade. O Parque, quarenta e um anos depois, permanece no papel.

Em sequência vieram o Parque Estadual da Ilha Grande (1971), a Reserva Biológica da Praia do Sul (1981), a APA Cairuçu (1983), a APA Tamoios (1986), a Estação Ecológica de Tamoios (1990), a Reserva Ecológica Estadual da Juatinga (1991) e o Parque Estadual Cunhambebe (2007).

Com o tempo, cada UC teve estabelecido seu plano de manejo, zoneamento interno e as zonas de amortecimento sem olhar para o lado, causando superposição. Fora isso, adiciona-se os zoneamentos dos planos diretores dos municípios de Angra dos Reis e Paraty. O resultado final é literalmente uma “zona”.

As superposições tornam dificil a aplicação da lei, deixando tonto aqueles servidores que trabalham na ponta. Na baia de Ilha Grande, um muitos locais há sobreposição que chega a ser tripla ou quádrupla. A Ilha Grande somente tem quatro zoneamentos: o da APA Tamoios, a da zona de amortecimento do PEIG, o da zona de amortecimento da Estação Ecológica de Tamoios e o do Plano Diretor de Angra dos Reis.

Com respeito ao excesso de Colegiados, cabe destacar a presença dos seguintes: Comitê da Bacia, Comitê do Mosaico Bocaina, Conselho Consultivo do Parque Estadual da Ilha Grande/Reserva Biológica da Praia do Sul, Conselho Consultivo do Parque Estadual Cunhambebe, Conselho Consultivo do Reserva Ecológica Estadual da Juatinga, Conselho Consultivo do Parque Nacional da Serra da Bocaina, Conselho Consultivo da Estação Ecologica de Tamoios, Conselho da APA do Cairuçu, Conselho da APA Tamoios, Conselho Municipal de Meio Ambiente de Angra dos Reis e o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Paraty.  

São onze colegiados na mesma região! Conhecendo o nível de participação de nossa sociedade, não é dificil estimar que a mesma pessoa está participando de vários e que este arranjo institucional irá colapsar no futuro.

Rearranjo futuro das UCs, requisito fundamental

Para o sucesso e eficária da APA uma medida futura é crucial. Trata-se do entendimento entre a SEA e o MMA, instâncias que efetivamente tomam decisões políticas, de que o melhor para o ecossistema marinho da baía de Ilha Grande é que ele inteiro se torne uma APA, e que ambos discutirão amplamente o assunto, envolvendo as partes interessadas locais.

O processo de discussão deve propor um novo cenário na APA, estabelecendo os arranjos nas unidades de conservação que serão necessárias.   

O novo cenário pode ser o seguinte:

·         APA da Baía de Ilha Grande cobrindo o litoral continental em faixa de largura variável cobrindo todos os manguezais, praias e costões rochosos até determinada altura, o espaço marinho tridimencional (leito e coluna d’água) e todas as ilhas, sendo delimitado à leste pela canal de navegação balizado, separando-a da APA da Baia de Sepetiba;         

·         APA Tamoios extinta; 

·         APA do Cairuçu redelimitada, transferindo as ilhas e o litoral para a Apa da Baia de Ilha Grande;

Para criação da APA, é necessário um decreto determinando que a APA Tamoios seja renomeada para APA da Baia de Ilha Grande, com novo limite. E um projeto de lei federal redelimitando a APA de Cairuçu, retirado a parte marinha e o litoral (esta APA passa a ser integralmente terrestre). Talvez, ao invés de PL, a mudança possa ser feita por Decreto Federal, já que o espaço continuará como APA.  

A segunda fase seria definir um cenário futuro mais definitivo, olhando tanto a baia quanto a Região Hidrográfica.

A alternativa podem contemplar:

·         APA Marinha da Baia de Ilha Grande, com áreas mais restritas para a pesca, como parte dos sacoc do Mamanguá, do Céu, Ribeira e outras, que funcionariam como produtores de peixes para toda a baia;      

·         APA do Cairuçu restrita a parte terrestre montanhosa;

·         Parque Nacional da Bocaina absorvendo a Estação Ecológica de Tamoios, agregando áreas marinhas altamente valiosas para visitação e proteção, reavaliando-se a viabilidade e a efetividade de manter todas as área de entorno marinho de um quilômetro;

·         Parque Estadual de Paraty estabelecido a partir da fusão do Área Estadual de Lazer de Paraty com a Reserva Ecológica da Juatinga, com mudança de limites, podendo incluir ilhas;

·         Parque Estadual da Ilha Grande ampliado, absorvendo encostas no entorno, pequenas ilhas desabitadas e alguma enseadas, conforme o Plano de Manejo;

·         Reserva Biológica da Praia do Sul implantada, contando com Plano de Manejo;

·         Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Aventureiro implantada;

·         Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) da Juatinga reunindo setores separados, com comunidades Caiçaras;

·         Parque Municipal Costeiro e Marinho de Angra dos Reis contendo ilhas e praias separadas;

·         Parque Municipal Costeiro e Marinho de Paraty contendo ilhas e praias separadas;

Uma alternativa que pode ser avaliada é a criação do Parque Nacional da Mata Atlântica do Sudeste, a partir da fusão de cinco unidades de conservação: Parque Nacional da Bocaina, Reserva Ecológica da Juatinga, Parque Estadual Cunhambebe, Estação Ecológica de Tamoios, Reserva Biológica do Tinguá e ARIE da Cicuta, com sede em Angra dos Reis e sub-sedes. Seria semelhante ao parque estadual da Serra do Mar em São Paulo, que tem 315 mil ha e é administrado por setores sob comando único. A grande vantagem é por diversos ecossistemas sob comando e política unificada, e ter apenas uma equipe, plano de manejo e orçamento, podendo ser gerenciado em parceria com os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Zoneamento, uma demanda estratégica

A APA do Ecossistema Marinho da Baia da Ilha Grande faz sentido somente se for estabelecida com base em processo construtivo reunindo os principais atores regionais como prefeituras, empresas e sociedade civil. APAs, como qualquer unidade de conservação, precisam nascer com padrinhos para que possa ser também uma instrumento de resoluçao de conflitos, ao invés de acirrá-los.   

A forma mais democrática e eficiente de viabilizar a APA da BIG é logo após criação iniciar o processo de conhecer em detalhe os usos multiplos atuais (recreação, pesca, industria naval, porto, UCs ) e as demandas dos diversos setores de usuários, e as ameaças e oportunidades, passando para discussão do zoneamento ecológico-econômico. O parceria com a FAO e o GEF é uma poderosa ferramenta para atingir este objetivo. É fundamental que a baia tenha apenas um só zoneamento, e que os municipios ajustem seus planos diretores. Pode parecer trabalhoso, mas não há outra opção. 

Atenção para as Ilhas

A gestão de muitas ilhas e a definição do uso futuro, que são bens da União, tem sido ditada pelo mercado, ao invés de fazer parte de uma politica pública. Uma minoria se beneficia do comércio de ativos públicos que movimentam milhões de reais. É preciso intervir no processo antes que a baia se torne um arquipélago de uso exclusivo de milionários. Ilhas devem ser incorporadas aos parques para que toda população tenha acesso. Outras devem ser cedidas para uso de caiçaras, como correu recentemente no Estado de São Paulo. Eles também possuem este direito. E a ocupaçao de todas elas deve ser objeto de licenciamento ambiental do INEA, já que nem o SPU nem os municípios conseguem exercer esta função  

Uma visão sobre a futura APA da BIG

Para finalizar, eis como vejo a APA no futuro:

·         Chefe da APA sendo um servidor concursado do INEA, selecionado e treinado para a função, subordinado diretamente ao Superintendente Regional, provendo liderança e capacidade de articulação;   

·         Conselho Gestor da APA com a presença de representantes do INEA, DRM, FIPERJ, UERJ e outras órgãos do estado (desenvolvimento econômico, transporte, pesca, defesa civil), de órgãos federais (IBAMA, Capitania dos Portos, CDRJ, ANTAQ, etc), das prefeituras de Angra dos Reis e Paraty, sociedade civil e usuários (portos, marinas, pesca, turismo, etc);  

·         Centro de Gerenciamento Ambiental da Baia de Ilha Grande instalado em Angra dos Reis, funcionando como sede da APA, com salas do chefe da APA, de técnicos do INEA, FIPERJ, Batalhão Florestal (posto), atendimento ao público, além de cais com embarcação;

·         Unidade descentralizada do Centro de gerenciamento implantada na Vila do Abraão (Ilha Grande);  

·        Sistema geográfico de informações da baia e modelo matemático de circulação operados pelo Centro; 

·        Zoneamento Ambiental dos Usos Múltiplos construído coletivamente no âmbito do Conselho, apoiado na legislação, de modo a conciliar as diversas atividades e indicar as áreas onde a proteção será mais intensa (mangues, áreas rasas, etc) e aquelas que precisam de recuperação (manguezais, ilhas e costões rochosos degradados, sedimentos contaminados, praias erodidas, etc)  

·        Regulamentos específicos para lazer náutico, pesca, coleta de invertebrados, navegação, água de lastro e outras atividades, emanados pelo INEA, IBAMA e outros instituições.    

·        Câmaras instaladas em pontos estratégicos, com amplas vistas das  diversas enseadas, para auxiliar a fiscalização;

·        Estado ambiental da baia (hidrodinâmica, qualidade das águas e sedimentos, comunidades biológicas do plâncton e bentos, peixes, tartarugas marinhas, cetáceos, praias e manguzais, usos humanos) melhor conhecido graças a pesquisa de um pool de universidades, com financiamento da FAPERJ, e aos dados gerados pelo projeto de monitoramento;

·         Situação patrimonial, ambiental e de ocupação de todas as ilhas conhecida;

·        Volume de lixo recebido pelos rios retido em ecobarreiras administradas pelos municípios;  

·         Costões rochosos, praias e manguezais livres de ocupações irregulares;   

·        Lancha do INEA patrulhando diuturnamente a baía, contando com efetivos embarcados do Batalhão Florestal, IBAMA e Polícia Federal; 

·        Pesca artesanal e aquicultura de espécies nativas fortalecidas e pesca de arrasto banida da baia, assim como aquicultura de espécies exóticas;

·         Todos portos, estaleiros e marinas com licença ambiental e Certificados ISO 14.000, inspecionados semestralmente pelo INEA;

·         Todas as ilhas e manhuezais inspecionados regularmente;

·         Volume de esgotos reduzido; 

·        Todos os ma*nguezais convertidos em refúgios da vida selvagem ou reserva extrativistas gerenciadas pela APA;  

·         Plano de Manejo com projetos de comunicação-educação ambiental, monitoramento, recuperação ambiental e fiscalização;

·         Custos de gestão rateados pelo INEA, Prefeituras e os principais usuários;

·         Centro de Visitantes da Baia de Ilha Grande instalado em Angra dos Reis e operado pela Turisrio, recebendo milhares de estudantes, moradores e turistas em busca de informações sobre o ecossistema e sobre o que há para ver e fazer na baia e na costa, impulsionando o turismo e a geração de empregos;

Por fim, creio que a Baía da Ilha Grande e não somente a Ilha Grande, reune todas as condições para ser um Sítio do Patrimônio Natural e Histórico da Humanidade reconhecido pela UNESCO.

Paulo Bidegain 






17 de novembro de 2011

Video do Parque do Algonquin


Parque Provincial do Algonquin, um dos mais antigos do Canadá.


16 de novembro de 2011

Rio e Niterói, duas Prefeituras relapsas com seus parques e áreas protegidas

As Prefeituras do Rio e Niterói, as duas cidades mais ricas do estado do Rio de Janeiro, tem sido relapsas com seus parques e unidades de conservação. Nos comentários que recebi sobre a proposta de municipalização do Parque Estadual da Pedra Branca, fiquei perplexo com a situação de miséria tanto da SMAC, a outrora bem montada Secretaria de Meio Ambiente da Cidade, como da Fundação Parques e Jardins – FPJ.

A administração ambiental da Prefeitura do Rio de Janeiro   

Os relatos mostram que a administração ambiental da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro foi desmontada na última década, após investir um tempo precioso e recursos públicos significativos em concursos, treinamento e infra-estrutura. A equipe era excelente. Poucos restaram da geração dos anos 90. A maioria se esvaiu, desmotivada pela gradativa desprofissionalização, baixos salários e outros fatores decorrentes de péssimas gestões.   

De acordo com as mensagens que recebi, o licenciamento passou a ser o carro chefe da SMAC. A Gerência de Unidades de Conservação, posicionada no terceiro escalão da SMAC, é o orgão encarregado dos parques e áreas protegidas. Ela encontra-se completamente desprovida de poder, pessoal e orçamento. Sua equipe é formada por apenas dois técnicos!. E as unidades de conservação são administradas através de empresas. Como os contratos são de curta duração, a rotatividade é alta e a eficiência muito baixa.

A Fundação Parques e Jardins, uma instituição centenária, que já foi o melhor órgão florestal e de unidades de conservação do Estado do Rio de Janeiro, muito melhor inclusive que o extinto Instituto Estadual de Florestas – IEF, vive uma situação deplorável, sendo um fantasma daquilo que foi no passado.

Nesta vazio, a COMLURB, uma empresa que cuida de limpeza urbana e resíduos sólidos, assumiu o papel de principal órgão ambiental do município. A empresa tem um robusto orçamento de R$ 850 milhões, na qual R$ 400 milhões são gastos na remoção do lixo público lançado pela população nas ruas e logradouros!. Ao invés dos R$ 400 milhões irem para os parques, hospitais e escolas, eles são gastos para pagar um exército de pessoas e equipamentos para varrer as ruas.

Inacreditáel. Porque não gastar 10% deste valor em campanhas educativas intensivas e duradouras para baixar este custo? E um pouco desta montanha de dinheiro na formulação de um plano consistente e novas tecnologias? Vejam esta palestra sobre reciclagem de plásticos.

Cerca de 70 % do lixo produzido em los Angeles e San Francisco não segue mais para aterros, sendo reciclados, reusados, etc. Exercer a gestão de resíduos sólidos como algo exclusivo da engenharia é a receita do fracasso. Sucesso é reduzir os custos com varrição, reduzir volume de lixo  que vai para o aterro. Convenhamos, gastar R$ 400 milhões em varrição é jogar dinheiro no lixo.    

De fato, hábitos não são corrigidos por obras e serviços. Uma campanha de dois anos com o velho e eficiente “Sujismundo” vira o jogo. Não tenho dúvida. Crianças educadas mudam os hábitos dos adultos. E não precisa pagar milhões com  agências de publicidade para estas criarem outro personagem. 

Órgão de gestão de lixo é muito importante. Mas daí ser o principal orgão ambiental municipal parece brincadeira. Um retrocesso para uma Prefeitura que um dia foi uma das líderes no Brasil.    

Em resumo, os relatos mostram que não há qualquer plano global ou iniciativa para preparar as unidades de conservação municipais para atender, entreter e educar os moradores e receber os milhares de turistas e gerar receitas. Tal realidade é inaceitável para uma cidade que se diz de vanguarda, capaz de sediar Jogos Olímpicos e Copa do Mundo, e que neste quesito fica atrás de Porto Alegre, Belo Horizonte, Vitória, São Paulo, Curitiba ou quiçá cidades com orçamento baixo como Teresina, São Luis, Rio Branco e outras.

Infelizmente, as iniciativas ambientais de grande e médio porte no Estado do Rio de Janeiro, à exceção da recuperação da Lagoa de Araruama e do Canal do Fundão, tem a triste tradição do vôo de galinha. Quem não se lembra do velho PDBG, da multa de R$ 50 milhões da Petrobrás que pelo visto deixou pouca coisa concreta, da implantação dos Parques do Desengano e Pedra Branca na primeira metade dos anos de 2000, das várias unidades de conservação criadas desde 1969 e até hoje no papel, dos rios e canais recém-dragados que voltam a se tornar lixeiras em pouco tempo. A SMAC foi para a vala comum. É preciso virar o jogo.     

Áreas verdes constituem um dos mais importantes cartões de visita. Como o Comitê Olimpico vê isso? Será que ele conhece esta realidade? Se a cidade do Rio de Janeiro tem algo a dizer na Rio +20, que começe por reerguer seus orgãos ambientais. Políticas sustentáveis começam por órgãos que fazem as politicas saírem do papel. Afinal, são funcionários que fazem as coisas acontecerem e não retóricas.  

E por que não analisar a montagem de uma única organização, juntando entidades ambientais como a FPJ, GEORIO, Rio Águas, COMLURB e parte da SMAC no formato de empresa pública, com orçamento robusto, capaz de chamar os veteranos de volta, melhorar  salários, atrair e reter profissionais qualificados e “ambientalizar” o serviço de residuos sólidos. Algo como uma Companhia Carioca do Meio Ambiente, a semelhança da CETESB, mas com escopo maior

Com órgãos pulverizados é quase impossivel concorrer com o setor privado na atração e retenção de talentos. Só uma empresa pública unificada e robusta pode enfrentar este desafio.

Para finalizar, na busca por recursos cada vez mais escassos, Prefeituras tem buscado soluções pouco usuais para melhorar e manter suas praças e parques. Chicago, Nova Iorque e Toronto estão vendendo às empresas o direito de usar o nome em espaços públicos, incluindo praças, estações de metrô e outros. Nomes de fábricas de cigarro e armas são proibidos. Por exemplo, Chicago assinou acordo de US$ 4 milhões com a Apple para reformar uma estação de metrô, que será rebatizada com o nome da empresa.

É como se uma praça passasse a ser conhecida como “Espaço de Lazer Itaú”. A idéia é muito polêmica, mas vale a pena discutir, pois é mais uma alternativa para melhorar o ambiente urbano e lidar com custos crescentes e orçamentos menores.

A administração ambiental da Prefeitura de Niterói

Agora falando de Niterói. Um completo vexame. Nunca houve concurso público e nem sequer um órgão ambiental mínimamente estruturado. Os orçamentos do setor ambiental sempre foram medíocres. A tradição se mantém, conforme mostra o Blog do Axel Grael em artigo recente. 

Indo a Niterói, ao ver “Nitpark” escrito em uma placa não pense que é uma empresa municipal que cuidar de praças e parques. É para estacionamento!. É isso aí, vaga de carro é mais importante que cuidar do ar que a população respira e zelar por montanhas, planícies, córregos, florestas, restingas, lagoas, praias, mar e fauna.

Em 1992, pelo Movimento Cidadania Ecológica, ajudamos a Prefeitura a criar o Parque Municipal da Mata Atlântica da Pedra do Cantagalo, com mais de 700 ha. Não deram a mínima importância. Anos depois criaram uma Reserva Ecológica por cima do Parque, que não foi extinto, e a batizaram de Darci Ribeiro. Uma lambança jurídica e uma falta de respeito com a memória de Darcy Ribeiro. 

Vinte anos depois nem o administrador foi nomeado! E a CLIN, a companhia de lixo de Niterói persiste como o principal orgão ambiental de Niterói. Quem faz a gestão ambiental das praias é a CLIN. E a proteção dos ecossistemas é empurrada para o INEA. O INEA investe nas lagoas. O INEA investe no Bumba. O INEA investe no aterro de lixo. Na próxima eleição votem INEA para Prefeito.

O Prefeito tem Silveira no nome, que vem de selva, floresta. Mas para ele, só o que interessa é selva de pedra: monumentos, caminho do fulano, museu do sicrano e segue por aí. A gestão ambiental é um “bumba-meu-boi”.

Muito pouco pode-se esperar do Governo de Nitéroi, já apresentando claros sinais de “fadiga de material”. Houve tempo de sobra. Só a renovação pode trazer novos ares, idéias e determinação para avançar.




6 de novembro de 2011

O Muriqui e o Parque Estadual do Desengano


Muito boa a idéia da Secretaria de Estado do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro de lançar o macaco Muriqui como o mascote dos Jogos Olímpicos, uma espécie exclusiva da Mata Atlântica. Golaço. A escolha vai tornar o muriqui nacional e internacionalmente conhecido, e por tabela, quem sabe, abrir as portas para que o Parque Estadual do Desengano, o habitat do muriqui e o primeiro do Estado do Rio de Janeiro, deixe de ser um parque ficitício mesmo tendo 42 anos!. Aliás, aproveitando o embalo, o nome do parque poderia passar a ser Parque Estadual do Muriqui, ao invés do nome atual, que nada tem de atraente. Desengano deriva de desenganar e quer dizer desilusão ou desesperança.

O nome não combina com beleza e a importância do Parque. A mudança de nome por significar o ponto de virada do Parque