7 de julho de 2017

16 de março de 2017

Fezes Metropolitanas: um pré-sal desperdiçado

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Antoine Laurent Lavoisier 


A ciência tem demonstrado que as fezes humanas podem constituir um negócio, gerando empregos e renda, ao invés de serem um transtorno.  

Levando em conta que cada habitante gera em média 165 kg de cocô, os 11 milhões de habitantes da Região Metropolitana produzem por ano algo em torno de 1,8 bilhão de kg ou 1,850 milhão de toneladas.     

Essa quantidade de fezes é suficiente para encher 185 mil caminhões com capacidade de 10 toneladas, que usualmente tem 14 metros de comprimento. Isso daria uma fila de caminhões com 2.590 km, ou seja, a distância entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires.

Pesquisas financiadas pela Fundação Bill Gates desenvolveram a Omniprocessor, uma usina de produção de energia empregando fezes humanas como insumo. Com os dejetos de 100 mil habitantes, a usina pode produzir 250 mil watts de energia e 86 mil litros de água. Segundo Peter Janicki, CEO da Janicki Bioenergy, empresa que inventou o OmniProcessor, a máquina usa o “lodo do esgoto” (“sewer sludge”) para reaproveitar resíduos.

Na Região Metropolitana, o processamento do cocô em Usinas poderia gerar anualmente nada menos que 25,5 MW (27.500.000 watts) e 3 m3/s de água (9.460.000 litros). A energia é suficiente para abastecer 40 mil casas e a água pode suprir a demanda de muitas indústrias. Niterói, com 500 mil habitantes consume 2 m3/s.

Uma planta já esta em funcionamento em Dakar no Senegal. 

O plano de saneamento da Região Metropolitana deveria contemplar estas alternativas, ampliando o campo de visão para tratar o cocô como insumo econômico, um negócio que gere renda e empregos, ao invés de ser desperdiçado. A conta de água certamente seria menor.  Vale a pena implantar uma planta piloto Omniprocessor na bacia do Rio Macacu? Ou Biodigestores para produção de gás. Enfim as possibilidades são múltiplas. A solução convencional de coletar, tratar e lançar esta com os dias contados.  

Precisamos da Ecoconomica, termo cunhado pelo jornalista Maurício Horta, cuja matéria publicada na revista Superinteressante é reproduzida abaixo.   

As fezes humanas já alimentam boa parte do mundo. E podem alimentar bem mais. De quebra, elas também são uma alternativa de energia (hum...) limpa. E se prepare: ainda existe um verdadeiro pré-sal de cocô a ser explorado!
  
Não fosse pelo esgoto, o preço de vegetais em países pobres aumentaria tremendamente. Cada tonelada de fezes humanas tem até 6 quilos de nitrogênio, 2,5 quilos de fósforo e 4,2 quilos de potássio, e cada 1 000 litros de urina, até 70 quilos de nitrogênio, 9 quilos de potássio e 400 gramas de fósforo. “Com essa constituição, fica claro o valor fertilizante dos dejetos humanos tanto para uso em pequena como em grande escala”, diz o engenheiro agrícola Antônio Teixeira de Matos, da Universidade Federal de Viçosa.

Claro que nem ele nem ninguém defende que comer um legume cultivado nas fezes de desconhecidos é uma boa ideia. Um grama de cocô é uma bomba com 10 milhões de vírus, 1 milhão de bactérias, 1 000 cistos de parasitas e 100 ovos de vermes. É a água contaminada por esses organismos que causa 80% das doenças relacionadas à diarreia, que matam uma criança a cada 15 segundos. Ou seja: comer desses cultivos é quase tão perigoso quanto não comer nada.

O potencial de verdade, então, está no esgoto tratado contra micro-organismos nocivos. “A tecnologia para limpá-lo [como tanques de estabilização de dejetos e outras técnicas de baixo custo] já é bem pesquisada e documentada. A questão é apenas aplicá-la onde for necessário”, diz a engenheira ambiental Liqa Raschid, do IWMI.

Os países desenvolvidos já fazem isso, inclusive. Eles processam grande parte dos dejetos, produzindo de um lado água potável e, de outro, o lodo de esgoto – tratado contra bactérias e parasitas. E esse lodo é a base de muitos cultivos. No Reino Unido, por exemplo, 70% do lodo vai para a agricultura, e, nos EUA, só a empresa Synagro fatura US$ 320 milhões coletando lodo de esgoto para vender a fazendeiros do país todo. Só não dá para substituir todo o fertilizante artificial por cocô porque não o produzimos o suficiente.

O tratamento é fundamental para usar esgoto como adubo, mas não é tão necessário se os dejetos forem aplicados em culturas não comestíveis, como fibras, madeira e combustíveis, segundo Matos. “Se a aplicação for feita em doses adequadas, para não contaminar o solo nem as águas subterrâneas, o risco é mínimo. E o aproveitamento deve ser incentivado”, conclui. Resultado: o produto interno bruto do seu intestino vai direto para o do país! Você estará contribuindo para o crescimento econômico cada vez que sentar no trono. Mas isso é só o começo.

Problema de gases

Outro fim economicamente interessante pode ser dado ao cocô: produzir energia. Afinal, as fezes têm gás combustível de montão. Some a criação de animais domesticados do mundo – 1,34 bilhão de vacas, 1,8 bilhão de cabras e ovelhas, 941 milhões de porcos e 18 bilhões de galinhas. Se você pegar só a metade do que essa bicharada solta em um ano, poderá produzir em gás o equivalente a 2,28 bilhões de barris de petróleo por ano, ou 8% do que o mundo consome. Juntando isso à produção intestinal dos 6,9 bilhões de seres humanos… bem, as chances energéticas parecem ilimitadas.

Ainda assim, a produção de gás de origem biológica (o biogás) está engatinhando. É que um biodigestor comum precisa de em média 30 litros de matéria orgânica por dia para se tornar viável, enquanto uma pessoa faz cerca de 250 gramas de cocô e 1 litro de urina nesse período. Não dá grande coisa em biogás. Para manter acesa uma única lâmpada de 100 W, por exemplo, só com a produção diária de 10 pessoas.

Mas com uma forcinha dos animais a coisa funciona. Uma vaca produz 30 quilos de estrume por dia. Juntando isso com a porção humana, já dá para conversar. Tanto que, hoje, 15 milhões de lares na China rural conectam suas privadas a um biodigestor – e, poucas horas depois de terem dado a descarga, podem acender o fogão e cozinhar o almoço.

Com 1,6 bilhão de pessoas, o país conseguiu então estampar mais um título autoatribuído de grandeza: o de país que aproveita mais energia do cocô. Num vilarejo-modelo na província de Shaanxi, todo cocô, humano ou animal, é aproveitado para produzir energia. A Índia segue o mesmo caminho, com seus 283 milhões de vacas. Mas é o Nepal o país com mais biodigestores per capita. Com 83% da população no campo e constante falta de combustível, 4% dos nepaleses usam o biodigestor a cocô de vaca. O Brasil vai devagar, mas São Paulo e Mato Grosso já têm fazendas com biodigestores de fezes de porcos.

Esse tipo de iniciativa pode fazer toda a diferença para o bolso dos criadores de animais. E para o seu. Por exemplo: se todas as criações de frango aproveitassem a quantidade mastodôntica de titica que produzem, a carne poderia ficar 4% mais barata no supermercado, segundo um estudo de Julio César Palhares, pesquisador da Embrapa. Isso corresponde ao custo do aquecimento elétrico, uma necessidade dos criadouros. E a energia da titica, sozinha, daria conta de eliminá-lo.

Mas nem sempre é necessário criar animais para que os biodigestores sejam viáveis. Em lugares de população grande e concentrada o sistema pode vingar. Foi o que aconteceu nas prisões Ruanda. O genocídio de 1994 inflou a população carcerária do país, bombando tanto os gastos com lenha para cozinha quanto a produção de fezes, que acabava nos rios. O cocô dos presos tinha virado um problema nacional! A solução? Cozinhar a comida deles com biogás feito de suas próprias fezes. Pronto. Desde então, esse combustível humano permite uma economia de 60% nos gastos com lenha – gastos que chegariam a US$ 1 milhão por ano.

Os europeus também já podem entrar no banheiro e sair com a consciência ambiental mais limpa. A Alemanha transforma 60% de suas fezes em energia, e a Inglaterra deve fechar 2010 passando a marca de 75%. Na Suécia já há carros funcionando, indiretamente, à base de cocô. A cidade de Linköping transforma todo o esgoto de seus habitantes (e mais o cocô de porcos e bois) no biogás usado nos 64 ônibus do lugar e no primeiro trem movido a cocô do mundo, que tem autonomia para percorrer 600 quilômetros. Enquanto isso, 12 postos abastecem os carros locais, economizando 5,5 milhões de litros de gasolina. Com isso, 9 toneladas de CO2 deixam de ser lançadas no ar por ano.

Mesmo assim, ainda existe um pré-sal de cocô a ser explorado. Simplesmente porque quase todo ano ele é desperdiçado por falta de saneamento básico. No mundo, 2,5 bilhões de pessoas não contam com esse luxo. Não é que não tenham acesso ao esgoto. Eles não possuem sequer uma fossa: vão para campos abertos de defecação, linhas de trem, florestas… E em algumas favelas, partem para o toalete-helicóptero: fazem num saquinho e jogam no telhado do vizinho.

Inspirador, não? Bom, para o empresário sueco Andrés Wihelmson foi. Primeiro ele viu saquinhos de cocô voando em favelas do Quênia. Depois, constatou que esses lugares tinham bastante espaço livre que poderia ser usado para plantar. Aí ele juntou as duas coisas numa ideia só: fazer saquinhos-privada biodegradáveis e com produtos químicos que matam os germes do cocô. Depois de se aliviar, você enterra a caca e ela vira adubo. Andrés já testou a coisa na África e deve começar a produção neste ano. A intenção não é fazer caridade, mas vender os saquinhos pelo equivalente a R$ 0,05. Com lucro. Pois é: com cocô não se brinca.

Fontes:

4 de dezembro de 2016

As Unidades de Conservação Federais no Estado do Rio de Janeiro merecem uma revisão.


 
O Estado do Rio de Janeiro possui diversas unidades de conservação federais, criadas em distintos contextos históricos. Na atualidade, é necessário proceder uma revisão em conjunto, visando potencializar a conservação da biodiversidade e possibilitar o aumento da receita, a consolidaçao do uso público e a geração de emprego e renda.

Sugestões:

(1) Transformar a Reserva Biológica do Tinguá em Parque Nacional, pois não faz sentido ter uma reserva biológica em uma região metropolitana com enorme demanda de recreação, acossada por traficantes e caçadores. Quanto mais pessoas visitarem os locais certos, menos problemas. Merece o status de Parque Nacional;  

(2) Converter as Reservas Biológicas União e de Poço das Antas no Parque Nacional do Mico-Leão Dourado, prevendo a incorporação de novos fragmentos ao parque, incluindo o segmento de baixo curso do rio São João, que tem alto potencial de uso público. O Vale do Rio são João merece este destino turístico. Com este nome, atrairá muitos visitantes sem prejudicar a recuperação das populações dos micos, gerando receitas para serem aplicadas no projeto.    

(3) Incorporar a Estação Ecológica de Tamoios ao Parque Nacional da Bocaina, abrindo um leque excepcional de área marinhas para recreação e lazer;

(4) Municipalizar ou estadualizar a ARIE da Cicuta e estadualizar a APA Petrópolis;

(5) Criar a APA Marinha das Baias de Ilha Grande e Sepetiba, como fez o estado de São Paulo para, através do zoneamento do espaço marinho e do litoral, ordenar os usos, reduzir conflitos e degradação e impor liderança de gestão, antes que se tornem Baias da Guanabara. Este passo é fundamental para equacionar diversos impactos ambientais e sociais causados pela construção da BR 101, passivo federal que demanda ser resolvido;

(6) Implantar o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, situado defronte ao espaço marinho que mais gera compensações ambientais no Brasil - a Bacia de Campos - e que recebe investimentos irrisórios;   

Aproveito para parabenizar a gestão do Parque Nacional da Tijuca e da APA de Guapimirim, esta última, quiçá ,a APA mais bem administrada do Brasil.   

   

4 de outubro de 2016

Idéias para os Parques e para a Gestão Ambiental da Cidade do Rio de Janeiro



Paulo Bidegain

Uma politica ambiental é governada pelas Constituição e pela legislação e desenvolvida com base em planos, programas e projetos que são executados por órgãos públicos, empresas, associações civis, etc, financiados por recursos públicos e privados. Um requisito chave, estratégico, é possuir um órgão público ambiental bem estruturado, moderno, com profissionais treinados, motivados e bem pagos, para liderar e fazer a diferença, atendendo a expectativa da sociedade. Não temos isso no Rio de Janeiro, uma das mais importantes cidade do mundo. A gestão é uma bagunça, pulverizada, desarticulada e pouco eficiente.

Na década de 1990, a Prefeitura do Rio de Janeiro tinha uma das melhores secretarias municipais do meio ambiente do Brasil, a SMAC, cuja estruturação consumiu vários anos. Infelizmente, nos anos 2000 iniciou-se o desmonte da SMAC, acarretando uma debandanda de quadros altamente qualificados, recrutados em concursos e treinados com esfoço de mais de uma década.   

A SMAC foi aparelhada e perdeu prestígio e recursos, transformando-se em um cartório de expedição de licenças. Salvou-se o premiado e internacionalmente reconhecido Projeto Mutirão Reflorestamento. O sistema de unidades de conservação, com mais 50 unidades, é talvez um dos piores dentre as grandes cidades brasileiras, lotado de parques do tamanho de praças e “apinhas”. Os “gestores” tercerizados ganham salários de pouco mais R$ 1 mil, e tem como atribuição principal zelar pelas edificações, reflexo da importância política dada a estes empreendimentos públicos.

A equipe do Parque de Grumari, o maior deles, tem apenas um funcionário. A Guarda Ambiental e a COMLURB ajudam na gestão, mas sem qualquer tipo de integração. A Fundação Parques e Jardins foi esvaziada e a arborização urbana entregue a empresa que gerencia residuos sólidos.  Este é o legado dos dois últimos prefeitos.  

Recursos humanos e financeiros formam a espinha dorsal de uma gestão ambiental minimamente eficiente. Leis e regulamentos magníficos, Sistema Geográfico de Informação entupendo, planos primorosos, material de divulgação fantástico e edificações palacianas são inúteis se o órgão ambiental não dispor de equipes motivadas, treinadas e bem pagas. Em outras palavras, a prioridade para montar uma boa gestão ambiental resume-se em uma coisa: gente.  Fora dai é firula.

Recolocar a cidade do Rio de Janeiro na vanguarda ambiental é estratégico para o Estado e para o Brasil. O que se faz no Rio repercute em todo o pais.  

Ancorada nesta visão, faço aqui uma modesta contribuição para a reflexão e o debate, entendendo que é fundamental fazer uma reorganização administrativa para eliminar duplicidades, reduzir a quantidade de “administrativos” e de papel, formar equipes multidisciplinares  e valorizar o corpo técnico em termos de qualificação e salário.       

A seguir a proposta.

SMAC

Enxugar a SMAC o máximo possivel, passando todas as atividades executivas para a administração indireta, fortalecendo seu papel de articulação e formulação politica. Para tanto basta um Gabinete de Secretário com um grupo de assessores comissionados e um de servidores de carreira seniores, algo como o “Privy Council Office” do parlamento canadense, um grupo não partidário de servidores com grande experiência, que assessoram a tomada de decisão do Secretário. Para o servidor, esta posição seria um dos ápices da carreira. A vantagem deste tipo de grupo é que ele pode evitar a canibalização que ocorre a cada mudança de governo.     

Além disso, são necessárias pequenas unidades de apoio para gerir o Conselho Municipal de Meio Ambiente e o Fundo Municipal do Meio Ambiente e para cuidar da relação com outros orgãos municipais, Câmara de Vereadores, Tribunal de Contas, Ministério Público, órgãos do governo federal e estadual e com organismos internacionais, além de assessorias juridicas e de comunicação. 

EMPRESA PÚBLICA RIOAMBIENTE

A RIOAMBIENTE é uma empresa pública formada a partir da fusão de setores da SMAC, com a Fundação Parques e Jardins, COMLURB, Fundação Geotécnica e RioÁguas.

Um novo ambiente de trabalho, multidisciplinar, proativo, com uma melhor compreensão dos desafios e das soluções, juntando profissionais de várias áreas. As decisões serão muito mais consistentes. E assim os projetos e seus resultados. Não faz sentido ter uma empresa superestruturada e ágil para gerenciar unicamente residuos sólidos, com orçamento na casa do bilhão, enquanto os órgãos que lidam com poluição, licenciamento, rios, canais, enchentes, encostas, parques, praças, florestas e fauna tem orçamentos irrisórios. Além disso, administrar residuos sólidos é uma atividade que faz parte da gestão ambiental.     

Não há risco de criar um gigante lento. O Rio de Janeiro é uma cidade, não é um estado. Então é possivel. Mais que possivel, é necessário. Excesso de órgãos gera burocracia, excesso de papel, disputa por orçamento, corporativismo e grande dificuldade de integração.     

A estrutura organizacional poderia contemplar:  

·         Diretoria de Resíduos Sólidos
·         Diretoria de Ambientes Marinhos, Rios e Lagoas, reunindo hidrólogos, oceanógrafos, engenheiros civis e sanitaristas, geomorfologos fluviais, biólogos especialistas em limnologia, biologia marinha e pesca, e vários outros profissionais;
·         Diretoria de Arborização Urbana e Recuperação Ambiental com geólogos, geotécnicos, engenheiros florestais, biólogos, engenheiros civis e assistentes sociais trabalhando junto na recuperação de encostas e outras áreas degradadas e cuidando da arborização urbana;
·         Diretoria de Licenciamento e Fiscalização;  
·         Diretoria de Parques, com a atribuição de criar, implantar e operar os Parques Naturais, Praças e Parques Urbanos e gerenciar as ilhas e praias dos município, hoje com gestão acéfala;
·         Diretoria de Educação Ambiental;
·         Diretoria de Administração e Finanças     

Ninguém será demitido e pode-se fazer uma forte descentralização, tentando por o funcionário para trabalhar próximo de sua casa, nos escritórios regionais.

PARQUE NATURAL DO RIO DE JANEIRO

A cidade do Rio de Janeiro tem grande prestígio mundial, sendo o principal destino turistico do Brasil. Em 2013, segunda dados do Ministério do Turismo, 1,5 milhão de turistas internacionais e nacionais entraram no Rio de Janeiro. Sua fama nacional e internacional é devido a beleza ímpar do patrimônio natural carioca, formado pela paisagem estupenda onde se mesclam montanhas, florestas, lagoas, praias e mar. O patrimônio histórico-cultural, à exceção da estátua do Cristo Redentor, exerce papel secundário na atração dos turistas. O  Pão de Açúcar e o Corcovado lideram de longe em número de visitantes, de acordo com dados da Turisrio. As praias, outro atrativo natural, atrai milhares de visitantes.   

Paradoxalmente, os investimentos nas praias e parques cariocas, carros-chefes responsáveis por girar a economia do turismo, é irrisório em comparação aos realizados em museus. Temos o Museu do Amanhã convivendo com parques de anteontem.

Para reverter este cenário e colocar os parques na posição que merecem, proponho um novo empreendimento turístico e de conservação ambiental: o Parque Natural do Rio de Janeiro (PNRJ). O Parque seria formado pela praias, ilhas e pelas áreas que compõe o Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca e os atuais parques naturais da Cidade, Mendanha, Grumari, da Barra da Tijuca, Paisagem Carioca, Marapendi, Prainha, Grajaú, Bosque da Barra, Chico Mendes, Penhasco Dois Irmãos, Bosque da Freguesia e Catacumba, assim como pela superficie do Parque Urbano Garota de Ipanema e o Mirante do Leblon, somando mais de 2.300 ha.

O Parque tem potencial para ser um dos quatro maiores destinos turisticos da cidade, capaz de atrair mais de 2 milhões de visitantes por ano sem contar as praias, gerando milhares de empregos, além de renda e impostos. 

O nome “Rio de Janeiro” é uma marca consolidada na mente e no coração dos brasileiros e estrangeiros. O parque tira partido deste fato, incorporando-o ao seu nome. O empreendimento resgata o papel crucial da cidade do Rio de Janeiro na história dos parques e áreas protegidas do Brasil e do continente americano, bem como a importância do Major Manuel Archer, cidadão carioca que em outros países seria considerado herói nacional, mas que aqui segue subvalorizado.

O Parque renderia uma receita minima estimada em R$ 2 milhões/ano apenas como o repasse de ICMS Ecológico, suficiente para financiar sua operação. Com a vantagem a possuir um único gestor, plano de manejo, orçamento e equipe.  

O formato do Parque Natural do Rio de Janeiro não é uma novidade, existindo similares em diversos países, a nivel federal, estadual e municipal. Dentre eles releva destacar o Parque Nacional Montanha da Mesa (Table Mountain National Parks - TMNP), situado na Cidade do Cabo, na África do Sul.

Criado em 1998, o TMNP possui 25.000 ha com previsão de atingir 30.000 ha em breve, além de 1.000 ha de habitats costeiros e marinhos. Cercado pela Cidade do Cabo, o TMNP é formado por áreas separadas com amplo acesso público gratuito e apenas quatro pontos com acesso pago. Recebe anualmente 4,2 milhões de visitantes, constituindo o mais visitado dentre os todos os 21 parques nacionais administrados pelo SANPARKS. A Cidade do Cabo, com superfície de  2,461 km² e costa maritima com 294 km de comprimento, tem uma população metropolitana 3,75 milhões.  

No Estado do Rio, a idéia de parque com várias áreas foi utilizada na concepção do Parque Estadual da Costa do Sol proposto pelo Consórcio Intermunicipal Lagos São João e abraçado pelo INEA, que inspirou Niterói a criar o Parque Natural de Niteroi (PARNIT), em 2014, formado por 13 áreas.    

Em suma, para sair do atoleiro é preciso ousadia.

28 de setembro de 2016

Parque Estadual da Serra da Tiririca: 25 anos - Até Charles Darwin esteve Aqui


 
 
Situado em Niteroi e Maricá, o Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET) completará 25 anos no dia 29 de novembro. São 25 anos de apoio ininterrupto da sociedade, que atuou decisivamente na sua criação e nas sucessivas ampliações. E permanece lutando por melhorias.

É disparado o de maior carisma e reconhecimento popular entre todos os parques estaduais e, talvez, o mais visitado. Graças a sua existência, os municípios de Niterói e Maricá receberam repasses de ICMS Ecológico de R$ 10,8 milhões entre 2009 e 2015. Neste intervalo, Niterói recebeu R$ 7,7 milhões, estando previsto o ingresso de R$ 2 milhões até o final do ano de 2016 e R$ 2 milhões em 2017, enquanto Maricá recebeu R$ 3,1 milhões, estando previsto o ingresso de R$ 1,2 milhão até o final do ano de 2016 e R$ 1,2 milhão em 2017. O PESET é uma força econômica.

Caso inédito em nosso estado, o Parque é liderado pelo gestor Jonathas Ferrarez, tecnólogo  ambiental formado nas categorias de base do PESET, onde começou a atuar como voluntário em 2006.

O PESET iniciou em 1991 protegendo apenas a Serra da Tiiririca e a enseada do Bananal. Em 2007 adicionou o Morro das Andorinhas e, em 2008, as terras da planície do entorno da Laguna de Itaipu, uma faixa da restinga de Camboinhas e a espetacular Duna Grande. Em 2012 incorporou as Montanhas Darci Ribeiro, repletas de Mata Atlântica, o Morro da Peça e as Ilhas do Pai, da Mãe e da Menina.

Com status internacional de Reserva da Biosfera da Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro conferido pela UNESCO em 1992, o PESET conta hoje com 3.493 hectares (35 km²), dos quais 2.553 ha estão em Niterói e 940 ha em Maricá. Recebe mais de 250 mil visitantes por ano, movimentando o comércio das áreas vizinhas e fazendo a alegria de milhares de moradores de Niterói, Maricá, São Gonçalo e do Rio de Janeiro, sem falar de turistas de outros cidades, estados e do exterior.        

Um dos principais parques metropolitanos do Estado do Rio de Janeiro ao lado do Parque Nacional da Tijuca e do Parque Estadual da Pedra Branca, o PESET tem como característica singular o fato de ter sido instituído após intensa campanha da sociedade civil, liderada pelo Movimento Cidadania Ecológic (MCE).

A Serra da Tiririca foi atravessada por Charles Darwin em 1832 que assim escreveu a experiência em seu diário de viagem: “Depois de passarmos por alguns campos cultivados, entramos numa floresta cuja magnificência não podia ser superada”. Ela foi ainda palco da primeira tentativa de reforma agrária do Brasil (Engenho do Mato, em 1962). O primeiro Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do Brasil, do Plano Estrutural Cidade Balneária de Itaipu, em 1983, foi realizado na área incorporada ao Parque em 2008. Em 1987 o IPHAN proclamou a Duna Grande como monumento símbolo da arqueologia nacional. Em 2008 o Parque incorporou a área da Reserva Biológica de Goethea, criada em 1932, a segunda mais antiga área protegida municipal do Brasil.

O PESET protege formações rochosas de gnaisse facoidal, granitos e diques de diabásio, córregos e riachos, florestas do bioma da Mata Atlântica, vegetação rupícola (plantas que vivem em afloramentos rochosos), restinga (vegetação em solos costeiros arenosos), duna, manguezal, brejos e alagadiços ao redor da Laguna de Itaipu, ilhas e a área marinha do enseada do Bananal. Abriga mais de 900 espécies de plantas, muitas ameaçadas.    

O patrimônio histórico-cultural reúne o sítio arqueológico da Duna Grande registrado no IPHAN em 1962, o Túnel Ferroviário da E.F. Maricá, o Caminho Darwin e a Comunidade Tradicional do Morro das Andorinhas. Além disso, o PESET valoriza e celebra o passado e a cultura do Povo do Sambaqui e dos índios Tupinambás. Os Sambaquieiros habitaram a região entre 8 e 1,5 mil anos atrás, percorrendo as diversas áreas do parque, nelas praticando a pesca, a caça e a coleta de vegetais, deixando como registro principal os sítios arqueológicos. Em sequência vieram os índios Tupinambás, que por mais de mil anos habitaram e perambularam pelas áreas do PESET, pescando, caçando e coletando vegetais.

Principais atrações e atividades no parque e entorno;

·         Caminhadas pelas trilhas até os cumes dos Morros do Elefante (412 m), Costão (Tucuns), Cantagalo, Andorinhas e da Peça, atravessando a Mata Atlântica, com mirantes que proporcionam vistas espetaculares;
·         Caminhada pela trilha até a Enseada do Bananal;  
·         Exploração do Caminho Darwin, com visita a Fazenda Itaocaia, local onde Charles Darwin pernoitou em 1832;
·         Apreciação da Duna Grande;
·         Visita ao Túnel Ferroviário da extinta Estrada de Ferro de Maricá;
·         Visita ao Museu de Arqueologia de Itaipu (entorno);
·         Banho relaxante nas praias de Itaipu, Camboinhas, Itacoatiara e Itaipuassu (entorno);   
·         Degustação de frutos do mar nos restaurantes da Comunidade de Pescadores de Itaipu (entorno);  

Como presente de aniversário pelos 25 anos e em reconhecimento a importância do Parque na vida dos Niteroienses, a Prefeitura cercou a Duna Grande e, atendendo ao apelo do movimento ambiental, o Prefeito comprometeu-se publicamente a destinar R$ 360 mil/ano ao parque pelos próximos cinco anos, visando garantir sua operação e a decretar as terras no entorno da Laguna de Itaipu como área de preservação permanente, pondo um fim a insegurança jurídica, além de construir a ciclovia no entorno da referida Laguna e investir recursos na recuperação deste precioso ecossistema aquático em conjunto com o Subcomitê da Bacia das Lagoas de Piratininga e Itaipu – CLIP e do Conselho da Resex Itaipu.               

Aguardamos agora os presentes do INEA, esperando anciosamente o anúncio da construção do Centro de Visitantes e da sede da UPAM, a implantação do Caminho Darwin, a melhoria das trilhas e a aceleração da regularização fundiária.  E também os presentes da Prefeitura de Maricá.     

Para finalizar, nossa homenagem a cinco pessoas que tiveram papel crucial na criação e no desenvolvimento do Parque: João Batista Petersen, Omar Serrano, Cláudio Martins, Leonel Brizola e Carlos Minc.

Parque Estadual da Serra da Tiririca, o parque do Charles Darwin.

 

 

7 de agosto de 2016


Parque Nacional Kaieteur, Guiana, criado em 1929. Tem 62.680 ha

4 de dezembro de 2015

O rio Doce e o Exército Brasileiro


O rompimento da barragem em Mariana causou um impacto de grande magnitude no rio Doce, com graves implicações sociais e ambientais. Mais de 600 km de habitats fluviais foram destruídos pela torrente de lama, soterrando e asfixiando a vida aquática. O rio Doce esta virtualmente morto. É provável que peixes e outros organismos continuem morrendo ao adentrar o rio principal vindo dos afluentes.

E sua capacidade de diluir esgotos, serviço que prestava gratuitamente a sociedade, diminuiu de forma drástica.   

O desastre acentua um longo processo de degradação da bacia do rio Doce. No inicio dos anos de 1990 conheci o rio Piracicaba, um dos principais afluentes do rio Doce. Estava destruido pelo garimpo. O Plano da Bacia mostra cabalmente a péssima saúde ambiental da bacia, devastada tal qual a do rio Paraiba do Sul.  

O dano esta feito. É hora de buscar soluções e tecnologias para repará-los. No Brasil, a engenharia, a geologia e a biologia brasileiras são bastante avançadas na recuperação de áreas degradadas terrestres. Não há qualquer dúvida.

Mas quando se trata de recuperar rios estamos entre os paises mais atrasados do planeta. Basta ver nossa arcaica engenharia de drenagem urbana, que continua emparedando os rios em caixas de concreto, isolando-as da paisagem e aniquilando qualquer possibilidade de recuperação futura.

A renaturalização dos rios, prática corriqueira na Europa, Austrália e América do Norte, ainda engatinha no Brasil, de modo que não temos engenheiros, arquitetos paisagistas, biólogos ou geólogos com conhecimento para planejar a recuperação de um rio. Precisamos fazer parceria com outros países para não gastar tempo e dinheiro inventando a roda.

Uma das organizações mais capacitadas para ajudar no planejamento e supervisão das atividades de recuperação de rios de grande porte como o rio Doce, quiça a única, é o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA (US Army Corps of Engineers), com vasta experiência prática, que conta com 37 mil funcionários civis e militares.

O Exército Brasileiro, através da unidade que comanda os Batalhões de Engenharia de Construção (BECs), poderia firmar convênio com Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA para assessoria técnica e transferência de tecnologia para recuperar o rio Doce, incorporando no processo o IBAMA, a CPRM, a Eletrobrás, a UFMG e a UFES. Outras instituições lideres no tema que poderiam ser convidadas são o Centro Europeu de Recuperação de Rios da Comunidade Européia, o Canadian River Institute da Universidade de New Brunswick e o Australian River Institute da Universidade de Griftt (Queensland), pátria da BHP.   

É uma oportunidade única de aprender novas tecnologia e treinar dezenas de especialistas brasileiros na recuperação do rio Doce e afluentes, reaplicando posteriormente em projetos para revitalizar rios em péssimo estado ambiental como o Paraiba do Sul, o Tietê, trechos do São Francisco, os afluentes da baia de Guanabara e centenas de rios urbanos.    

É certo que muitas outras atividades devem ser implementadas para recuperar a bacia.   

Cabe lembrar que em Niterói, a UFF e a Prefeitura, com apoio de engenheiros e cientistas europeus e da Universidade de Maryland, iniciaram um projeto pioneiro de renaturalizar o rio Jacaré, naquilo que pode ser o embrião de um futuro Instituto dos Rios Fluminenses. Muito apropiado alías, pois a universidade carrega o rio em seu nome. Fluminense deriva do latim “Fluminis”, que significa “rio”. 
 
 
Quem sabe o evento catastrófico pode ser o ponto de virada no futuro de nossos rios.  
 
 
 
               
 
 
 
 

 
 
 

21 de agosto de 2015

Planos de Manejo: enciclopédicos e para inglês ver

Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado se quiser voar!  Se quiser voar....Raul Seixas

 
No Brasil, os primeiros Planos de Manejo de Unidades de Conservação Federais eram compactos e foram elaborados pelo IBDF nas décadas de 1970 e 1980. Por exemplo, o plano do Parque Nacional de Sete Cidades tinha 60 páginas.

Na contramão da tendência mundial, com o tempo os Planos tornaram-se documentos enciclopédicos, tão grande quanto catálogos de telefones, planos de bacia hidrográfica ou manuais de operação de aeronaves. Feito pelo IBDF em 1984, o primeiro plano do Parque Nacional de Aparados da Serra tinha 181 páginas. Em 2004 o IBAMA revisou o plano, passando para 707 páginas.

O padrão federal de Plano de Manejo influenciou a maioria do Estados, que seguiram fazendo planos enormes e caríssimos, cujo valor, como bem observou o diplomata e especialista em parques Pedro Menezes, chega ser várias vezes superior ao custo operacional anual da unidade de conservação planificada!. No Espírito Santo há um parque estadual com 1.500 ha cujo plano tem 4.000 páginas!. Maior que o catálogo de telefone da Grande Vitória.

Vejamos o caso do Estado do Rio de Janeiro, que tem 31 unidades de conservação, sendo 11 Parques Estaduais, 1 Estação Ecológica, 3 Reservas Biológicas, 1 Reserva Ecológica, 13 Apas, 1 RESEX e 1 RDS.

Seguindo o padrão de plano-catálogo imposto pelo Roteiro Metodológico, o gasto com elaboração de Planos de Manejo para todas poderá atingir entre R$ 15 a 20 milhões!  

Somando-se os gastos com aqueles anteriores ao roteiro, como os Planos elaborados para os Parques dos Três Picos e Desengano produzidos em 2005, o valor pode chegar a R$ 23-24 milhões, o que não faz sentido.

Planos de Manejo enciclopédicos são pouco lidos, quase nada implementados e defasam rapidamente. Muitos tópicos são para “encher linguiça”. A parte de diagnóstico cobre 80 % do relatório. Curiosamente não há relatórios anuais avaliando o grau de execução dos Planos de Manejo, prática que deveria ser corriqueira. Arrisco dizer que raros ultrapassam 3% de cumprimento de metas e atividades após cinco anos. Neste cenário, os planos servem para “cumprir tabela”, atendendo um requisito da lei de forma cartorial.

E não acaba aqui. Planos de Manejo enciclopédicos exigem um esforço enorme do órgão público para licitar, acompanhar e atestar. O Plano de Manejo do Parque Estadual da Serra da Tiririca levou uns quatro anos para ser concluido. O processo de elaboração do plano de manejo do Parque Estadual da Costa do Sol arrasta-se há tempos.  

Países com mais de 100 anos de experiência em gestão de parques, como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Africa do Sul há decadas abandonaram os planos-catálogo. Eles estão errados e nós estamos certos? Será que eles devem seguir nosso exemplo?. O plano do Parque Nacional Grande Canyon (EUA), que anualmente recebe mais visitantes que todos os parques nacionais brasileiros somados, tem 90 páginas, foi feito em 1995 e continua valendo. 

Os atuais roteiros metodológicos devem ser engavetados, passando para história como testemunhos de um tempo em que gerenciávamos parques como cartórios ou tribunais, com muito papel e carimbo, para deleite de burocratas.

O Rio de Janeiro poderia dar o exemplo, adotando um modelo de plano de manejo mais adequado a nossa realidade, como por exemplo o da Agência SANPARKS da Africa do Sul. Não é necessário inventar a roda.      
 
Paulo Bidegain

 

Sugestões de leitura:

Plano do Parque Nacional de Sete Cidades de 1979
http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/imgs-unidades-coservacao/PARNA%20SETE%20CIDADES.pdf

Artigos de Marc Marc Dourojeanni no O ECo
http://www.oeco.org.br/outros-colunistas/9718-oeco_13689/
http://www.oeco.org.br/colunas/marc-dourojeanni/16370-oeco-13756/


Dissertação de Rodrigo Hecht Zeller - Aplicabilidade dos Planos de Manejo de oito parques nacionais do sul e sudeste do Brasil – Universidade Federal do Paraná


 

    

6 de julho de 2015

China prepara seu Sistema de Parques Nacionais e Áreas Protegidas


With U.S. as a Model, China Envisions Network of National Parks

 


 
More than 140 years ago, the United States government designated Yellowstone as the nation’s first national park — an untouched Western landscape of geysers, grizzly bears and soaring peaks. The national parks program eventually expanded to include more than 450 sites and has become one of the country’s greatest tourist draws.
 

Now China is trying to do with some of its natural spaces what the United States did during its own industrial boom. On Monday, Chinese officials and the Paulson Institute, a research center based in Chicago, announced a plan to undertake trial national park projects in nine provinces over the next three years.

 

“National parks are one of the very best ideas America has exported to the world,” Henry M. Paulson Jr., the former United States Treasury secretary and Goldman Sachs chief executive, said in an email. “A Chinese national park system that protects and manages the country’s ecologically rich, beautiful areas can be a source of great national pride and environmental education.”

 

“The trick in China will be how to let the public share its natural treasures, while at the same time protecting them,” said Mr. Paulson, who founded the Paulson Institute in 2011. “Conservation begins with a love of nature. You need to value something before you want to save it.”

 

In some spots in China where nature still thrives, like the popular Huanglong and Jiuzhaigou alpine parks in Sichuan Province, conservation efforts have become secondary to moneymaking ventures by tourism concession companies. Such areas are also often threatened by industrial pollution and construction.

 

But in December 2013, according to state news reports, Xi Jinping, the country’s president and head of the Communist Party, told a meeting of senior officials charged with making economic policy that China should move forward with a true national park system.

 

The Paulson Institute, where research on China’s environmental problems has been a major focus, began talking last fall to the National Development and Reform Commission, the government agency that helps oversee economic planning, about how to help out.

 

“This was really big news,” Rose Niu, the chief conservation officer at the Paulson Institute, said of Mr. Xi’s remarks. “No. 1, the national park system is a new concept to China. No. 2, not so many environmental conservation issues have been highlighted on such a high-profile political level.”

 

Ms. Niu, who moved to Washington from China in 2008 and was in Beijing this week, said the Paulson Institute would provide “technical support” to the Chinese agency as officials explore ways to manage and protect the trial parks. That support includes promoting exchanges between Chinese officials and experts in the United States, developing guidelines for managing the pilot parks, and doing case studies of national park areas in seven countries: Brazil, Germany, Japan, New Zealand, South Africa, Thailand and the United States.

 

Mr. Paulson has committed the institute’s help to planning for a trial park in the Wuyishan area of Fujian Province, a mountainous coastal region where Mr. Xi spent many years as an official. On the Chinese side, scholars from Tsinghua University in Beijing will help draft guidelines for Wuyishan and the other parks. Ms. Niu and others are scheduled to fly to Fujian on Thursday and travel to Wuyishan for meetings.

Accompanying the group will be Doug Morris, who worked for 40 years with the United States National Park Service, including as a superintendent. Mr. Morris is a member of Global Parks, a nonprofit group started in 2008 by retired National Park Service managers to advise foreign governments on creating national parks.

 

Some Chinese officials at the provincial and regional levels have experimented with park conservation. Ms. Niu, who is from Yunnan Province, played a critical role in helping establish a conservation area there called Pudacuo. The protected area covers about 115 square miles where the parallel flows of the Yangtze, the Mekong and the Salween have carved deep valleys. Ms. Niu worked on that project after she became China country director of the Nature Conservancy, an American environmental group, in 1997. Mr. Paulson is a longtime member of that group.

“China wants to develop a national park system in line with international practices and standards, but also fitting into a Chinese context,” Ms. Niu said in Beijing. “As someone working on conservation issues for 20 years, I believe this is significant progress that the Chinese government is making. The Chinese government knows the Chinese public needs more and more green space and clean air.”

 

“The Chinese want beautiful places and beautiful landscapes,” she added. “They want to enjoy the natural resources. These kinds of resources are less and less in China. China not only needs to fight pollution of air, water and soil, but it also needs to invest in its natural capital.”

 

Fonte: New York Times