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10 de fevereiro de 2019

USO SUSTENTÁVEL DE RIOS E LAGOAS: MUITO ALÉM DE POLÍTICAS E LEIS DE RECURSOS HÍDRICOS

                                                                       Parque fluvial em Portugal

Paulo Bidegain 

Em geral, leis de recursos hídricos tratam rios e lagoas não como ecossistemas aquáticos, mas como infraestrutura hídrica, ou seja, meros canais que transportam água (rios) ou armazenam (lagoas e lagunas).

A realidade mostra que a gestão pública dos recursos hídricos vai muito além de administrar demandas e disponibilidades de água e prover tratamento de esgoto. Os instrumentos das leis de recursos hídricos são insuficientes para prover uma gestão sustentável da água.    

Os fatos falam por si. Nas ultimas décadas, apenas as Lagunas de Araruama e Rodrigo de Freitas estão em processo de recuperação, graças principalmente às galerias de cintura (sistema de tempo seco) implantadas em seus perímetros, combinada com outras ações. No caso da Lagoa de Araruama, ressalta-se a dragagem, o ordenamento da pesca e a criação do Parque Estadual da Costa do Sol para proteger trechos da margem em bom estado de conservação e com potencial turístico para geração de emprego e renda. A recuperação da Lagoa de Araruama é uma iniciativa internacionalmente premiada. 

Os rios Guandu, Macacu, São João e Macaé, que figuram entre os principais ecossistemas fluviais fluminenses junto com os rios Paraíba do Sul e Itabapoana, encontram-se em péssimo estado, constituindo verdadeiras áreas degradadas, ao lado das lagunas de Piratininga, Itaipu, Tijuca, Jacarepaguá e Marapendi, todas ambientalmente colapsadas. 

A macrodrenagem generalizada das várzeas do rio Macacu fez com que o rio perdesse a capacidade de regularização. Na estiagem, não há mais estoque de água nas áreas úmidas para abastecer lentamente o rio. A água é toda levada para a baia de Guanabara. O rio Macaé é vital para indústria petrolífera. Sem as águas deste rio adeus royalties. Mas encontra-se completamente abandonado, assoreado e degradado devido a canalização e retificação. 

É fundamental priorizar a recuperação ambiental dos ecossistemas de rios, lagoas e áreas úmidas (wetlands) para assegurar os usos múltiplos. Somente ecossistemas aquáticos saudáveis podem prover águas de qualidade para diversos fins e habitats em bom estado para manter a biodiversidade nativa.

Neste cenário, o INEA e os Comitês de Bacia devem assegurar que o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FUNDHI) financie estudos técnicos e a elaboração de projetos conceituais e executivos para recuperação de rios, lagoas e áreas úmidas. A restauração ambiental compreende tanto a margem quanto o corpo de água.


                                  Rio Guandu e ETA do Guandu 

Parques de Orla para proteção e uso das margens

Com respeito às margens de rios, lagoas, represas e áreas úmidas de grande porte, é imprescindível transformá-las em parques públicos em forma de faixa de largura variável, dotados de infraestrutura e mobiliário simples de apoio ao turismo, recreação, pesca artesanal, esportes e ciclovias, além de recuperar habitats de matas ribeirinhas, brejos, restingas e manguezais. 

Parques semelhantes ao Parque Ecológico do Tietê (São Paulo), aos parques fluviais de Curitiba (Barigui) e aos parques do rio Hudson (Nova York), do rio Potomac (Washington, DC) e do rio Rideau (Ottawa). E, no Rio de Janeiro, os Parques Naturais de Marapendi e da Barra da Tijuca.  


Cabe mencionar que os terrenos de 15 metros de largura contados a partir da cota das cheias ordinárias de rios e lagoas são públicos, pertencem ao Estado. Parques materializam este domínio de forma muito mais eficiente do que um mero decreto aprovando uma delimitação de Faixa Marginal de Proteção (FMP), frequentemente abandonada, invadida ou transformada em depósito de lixo.   

Por exemplo, parques ao longo do Guandu e do Macacu não só protegeriam os rios mais importantes da região metropolitana como também impactariam de forma significativa a vida de milhões de pessoas, ofertando um espaço público de lazer de alta qualidade. E serviriam para valorizar socialmente os rios.

Os parques podem ser implantados e operados em regime de Parcerias–Público-Privadas (PPP) ou concessão. O planejamento conceitual e executivo pode ser tarefa da equipe da Agência Executiva Metropolitana do Rio de Janeiro em parceria com o INEA, financiados pelo FUNDHI, assegurada a ampla participação das Prefeituras, população e comerciantes locais. Parques deste tipo não se enquadram nas categorias da lei do SNUC. São na verdade parques urbanos com funções múltiplas, inclusive de reter cheias eventuais e manter as casas afastadas dos rios. Parques fluviais e lagunares devem ser considerados como instrumentos de gerenciamento de recursos hídricos por razões óbvias.

Urge implantar um conjunto de parques municipais interligados entre si e ao Parque Estadual da Costa do Sol, em toda orla da laguna de Araruama, um dos principais destinos turísticos do estado (“piscinão natural”) e o maior ecossistema hipersalino em estado permanente do mundo.  

Em 2014, a Prefeitura de Niterói criou o Parque Natural de Niterói (PARNIT) incorporando os terrenos da margem da laguna de Piratininga, tomou empréstimo junto a CAF e esta desenvolvendo o projeto executivo para implantar o setor orla lagunar do parque. Duas empresas lideres no ramo de soluções baseadas na natureza e parques foram contratadas através de licitação, a brasileira Embya e a francesa Phytorestore. Não será um parque urbanizado com exesso de concreto como o entorno da lagoa Rodrigo de Freitas. Mas uma área protegida que valoriza os elementos naturais e tem menor custo operacional e de manutenção. O projeto conta com  participação do Subcomitê das Lagunas de Piratininga e Itaipu desde a fase de concepção.    

Ainda em Niterói, em 2008 o INEA ampliou o Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET) incorporando a planície de inundação da lagoa de Itaipu. Infelizmente, dez anos depois, quase nenhuma infraestrutura de apoio à gestão e recreação foi implantada e sequer as terras públicas foram solicitadas a Secretaria do Patrimônio da União. Vale ressaltar como aspecto positivo o Centro de Esportes Náuticos implantado pela Associação de Windsurf de Niterói com recursos próprios. A inação do INEA custou caro. Uma batalha se instalou envolvendo empresas, INEA, Prefeitura, Câmara de Vereadores e a comunidade, esta liderada pelo movimento Lagoa para Sempre.         


    Parque Ecológico do Tietê

Recuperação de Canais

No Estado do Rio de Janeiro, todos os baixos cursos dos principais rios, como o Guandú, o Macacu, o São João e o Macaé foram retificados. Os cursos naturais, que antigamente corriam sinuosos com matas ribeirinhas e praias fluviais nas margens, deixaram de existir, convertendo-se em grandes canais retilíneos, uniformes, monótonos e com baixa diversidade biológica.

Na recuperação dos canais dos rios, uma alternativa que merece ser avaliada é o emprego da engenharia de recuperação fluvial (river restoration), em franca expansão na América do Norte, Europa e Austrália, com a finalidade de melhorar gradativamente o rio, devolvendo-lhe a capacidade de prover usos múltiplos e serviços ambientais. A prática de restauração de rios surgiu no final da década de 1980, quando especialistas empreenderam as primeiras tentativas de reabilitar a forma e função de córregos, com a finalidade de melhorar a estabilidade, os habitats e as funções das planícies de inundação

A tecnologia rapidamente se disseminou e muitos projetistas e empreiteiros estão continuamente trabalhando na aplicação e adaptação de diversos métodos, além de desenvolver novas técnicas, de modo a melhorar o desempenho dos projetos. As intervenções  para melhoria do canal de um rio podem ser gradativamente planejadas e executadas por estirões. A elaboração do projeto de recuperação exige o concurso de especialista estrangeiro, pois o Brasil não dispõe de engenheiros e cientistas treinados neste campo.

O papel do especialista é prover assessoria técnica para formular o projeto, transferindo o conhecimento e tecnologia para engenheiros e cientistas nacionais do campo da engenharia de recursos hídricos e da geomorfologia e ecologia fluvial. Releva mencionar que o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos é uma entidade líder na concepção e recuperação de rios, ao lado do European Centre for River Restoration (ECRR), operado pela Comunidade Européia.

É urgente a renaturalização dos canais dos rios Guandu, Macacu, São João e Macaé. Milhões de pessoas e milhares de empresas dependem destes rios, todos em estado ambiental deplorável, em especial no baixo curso.      

Exemplos de vídeos de iniciativas de recuperação de rios:

Indian River
Cumbrian River
Buffalo River
West Fork Little River



Outras ações

As seguintes medidas podem ser também implementadas:

1) Criar uma força-tarefa multidisciplinar no INEA e DRM, reunindo engenheiros, geólogos, biólogos, economistas, arquitetos, geólogos, sociólogos, turismólogos e outras profissões para modernizar o enfoque de gestão dos recursos hídricos e dos ecossistemas aquáticos. Gestão da água não um campo exclusivo da engenharia;                 

2) Planos de bacia menos enciclopédicos e mais objetivos, propondo projetos de criação de parques de orla, recuperação de canais, implantação de sistemas de tempo seco ao redor de rios e lagoas em áreas urbanas, redução de perdas e reuso da água, estimulo a captação e uso de água da chuva e, em casos extremos, a dessalinização, além de meta de consumo médio per capta a ser atingida através de programas de conscientização;

3) Amplo programa de fomento a construção de pequenos açudes e cisternas no meio rural, a exemplo da região semiárida do Brasil;



4) Implantação de redes em sistemas de drenagem urbana para retenção de lixo, desenvolvidas por empresas nacionais, complementados por ecobarreiras nos canais dos rios;


5)  Implantação de usinas de geração de energia a partir do lodo de estações de tratamento de esgoto e de resíduos sólidos através de PPPs, cuja primeira usina do Brasil será implantada na região metropolitana de Curitiba; 

6) Aeração com micro ou nano bolhas (tecnologias de aeração) ou uso de biotecnologia, ambos para recuperação de lagoas eutrofizadas ;



7) Treinamento de engenheiros e funcionários públicos municipais em drenagem urbana sustentável, para banir a pratica medieval e ineficiente de emparedar rios urbanos em caixões de concreto;    



8) Convênio do Governo do Estado do Rio de Janeiro (INEA, EMATER, AGENERSA e Agência Metropolitana) com a agência de águas do Estado de Queensland (SEQWATER, ex-Queensland Water Commission), que conduz um dos melhores programas de gerenciamento da água no plano internacional, superando uma  crise de dez anos de estiagem;

9) Converter determinados ecossistemas como Refúgios da Vida Silvestre, como por exemplo o wetland” “Lagoa Feia do Itabapoana”, as lagoas de Jaconé e Imboassica e o trecho do rio Macaé que se estende entre a localidade de Cachoeiro do Macaé, próxima a Estrada Serra-Mar, até a Ponte do Baião, na Estrada RJ-162. Com 23,5 km, o trecho mantém o curso natural, com praias fluviais, meandros e boa qualidade da água, ideal para recreação;  

10) Criar as APAs das Lagoas Feia e de Cima e da Laguna de Maricá compreendendo as margens e os corpos de água, gerenciando-as em parceria com as Prefeituras;               

11) Organizar  na UERJ o Instituto dos Rios e Lagunas Fluminenses, de caráter multidisciplinar, a semelhança do Instituto dos Rios Australianos ou do Instituto dos Rios Canadenses, para conduzir pesquisas e treinamentos práticos, incluindo  como clientes os funcionários de carreira do INEA, do DRM e da EMATER, bem como das concessionárias de saneamento e das Prefeituras.          

12) Reforçar a segurança das barragens. Para lembrar. Em 2003, o rompimento de uma barragem da Indústria Cataguases de Papel, na cidade de Cataguases, localizada na Zona da Mata de Minas Gerais, lançou 900 mil metros cúbicos de resíduos industriais nos rios Pomba e Paraíba do Sul. O despejo gerou mortandade de peixes e a interrupção do abastecimento de água em vários municípios dos estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro por cerca de dez dias. O Ibama aplicou uma multa de R$ 50 milhões. A empresa recorreu a Justiça e, passados “apenas” 16 anos, aparentemente nada foi julgado.       


Final 

A ciência e a tecnologia oferecem um amplo espectro de soluções modernas para enfrentar os desafios de gestão da água e de ecossistemas aquáticos no Estado do Rio de Janeiro. 

É preciso por fim nas discussões intermináveis, em planos de bacia enciclopédicos e partir para ação, como fazem o Consórcio Lagos-São João e o Comitê da Bacia do Rio Guandu. 

Uma medida simples e fundamental é designar funcionários concursados nas Superintendências do INEA como “gerentes de ecossistemas aquáticos”, um tipo de sindico ou maestro para os principais rios e lagoas. Começando pelo gerente da Lagoa Feia, gerente do Rio Macacu, gerente do rio Guandu, gerente do rio São João, gerente do rio Macaé, gerente da lagoa de Maricá, gerente da lagoa de Saquarema-Jaconé e gerente da lagoa de Araruama.      

No modelo tradicional que  vem desde 1975, dezenas de funcionários respondem por uma determinada lagoa ou rio, entrando e saindo do processo de acordo com as circunstâncias. Como se fosse um supermercado sem gerente. Um é responsável pelo setor de peixes, outro pelo setor de água, outro pelo setor de sedimento, outro pelo controle de atividades poluidores e assim por diante. 

Como diz o ditado popular, “cachorro que tem dois donos morre de fome”. Jamais dará certo.  

15 de janeiro de 2019

ICMBio lança publicação sobre cavernas


Para acessar a publicação clique aqui

9 de janeiro de 2019

Natural Parks Russia Video


Interpretação ambiental é tema de publicação do ICMBio


Fonte: Comunicação ICMBio

A publicação lançada pelo ICMBio tem o objetivo de oferecer uma compilação dos principais conceitos teóricos relacionados à interpretação ambiental.

Como traduzir para a sociedade toda riqueza e complexidade do nosso patrimônio natural e cultural? De que forma a visita às unidades de conservação pode, ao mesmo tempo, entreter e sensibilizar o público?

Estas são algumas das questões que surgem com frequência no planejamento do uso público nas unidades de conservação brasileiras e que são comuns aos gestores de áreas protegidas de todo o mundo. A resposta é o emprego da interpretação do patrimônio, ou interpretação ambiental, como é conhecida no Brasil. É uma forma especial de comunicação cujo conceito foi desenvolvido nos Estados Unidos há mais de 60 anos e continua a evoluir até hoje, a partir da experiência e dos estudos realizados em diferentes países.

A interpretação ambiental é uma das ferramentas elencadas no documento “Diretrizes para visitação em unidades de conservação”, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente em 2006, mas ainda permanece pouco conhecida e utilizada no Brasil. A publicação lançada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem o objetivo de oferecer uma compilação dos principais conceitos teóricos relacionados à interpretação ambiental e estabelecer diretrizes e princípios para uso da ferramenta no Instituto.

A publicação é fruto do aprendizado e amadurecimento de um conjunto de servidores capacitados em interpretação ambiental por meio da Parceria para Conservação da Biodiversidade na Amazônia, instrumento assinado entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, financiado pela Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e que viabiliza a cooperação técnica entre o ICMBio e o Serviço Florestal dos Estados Unidos.

A publicação Interpretação Ambiental nas Unidades de Conservação Federais compõe um ciclo de publicações organizadas pela Coordenação de Planejamento, Estruturação da Visitação e do Ecoturismo (COEST) com vistas à consolidação e difusão de estratégias de qualificação da visitação nas unidades geridas pelo ICMBio. Ele é destina-se a ser um documento orientador e que estimule a adoção de novas formas de comunicação e aproximação com a sociedade.

Clique aqui para baixar a publicação  



23 de outubro de 2018

PROTECTED AREAS IN CANADA

Paulo Bidegain


Parks and protected areas in Canada have a long tradition, dating back to 1885. The first designated protected area was Banff National Park, established in 1885 to protect hot springs discovered on the eastern slopes of Alberta’s Rocky Mountains, only three years after Yellowstone National Park was established by USA.

It was followed by the Parks of Niagara (1885, formerly known as Queen Victoria Niagara Falls Park) established by the Government of Ontario, Last Mountain Lake (1887) in Saskatchewan, Canada’s first waterfowl refuge, and two Ontario Provincial Parks, Algonquin (1893) and Rondeau (1894). 

In 1911 the world’s first organization charged with the management of national parks, the Dominion Parks Branch, was established, which is nowadays the Parks Canada Agency

Under the Constitution of Canada, responsibility for environmental management, including in that broad mandate the designation and implementation of parks and protected areas in Canada, is a shared responsibility between the federal government and provincial/territorial governments. A small but increasing number is also administered by Aboriginal governments and communities. Some protected areas are jointly managed by two or more administrations.  

Canada has ratified the following international agreements relating to protected areas and habitats:

·      Convention on Biological Diversity;
·    Convention on Wetlands of International Importance Especially as Waterfowl Habitat (Ramsar); 
·      Declaration of Intent for the Conservation of North American Birds and their Habitat;  
·      Agreement on the Conservation of Polar Bears and Their Habitats;
·      Convention for the Protection of Migratory Birds in the United States and Canada;  
·   Agreement between the Government of Canada and the Government of the United States on the Conservation of the Porcupine Caribou Heard;
·     Convention Concerning the Protection of the World Cultural and Natural Heritage World Heritage Convention;

By 2011, figures show that: 

·    Canada has substantially grown the amount of area protected in the last 60 years: 1950 = 1.7% of Canada: 1975 = 3.0%; 2000 = 6.7%; 2005 = 9.3%; 2010 = 11.8%);
·   Canada has set aside 11.8% of its lands and freshwaters as protected areas (permanent and interim);
·    Only 45,280 km2 (0.64 %) of Canada’s oceans are protected;
·   Canada’s terrestrial protected areas network includes a total of 117.9 million hectares (ha). 36.0 million hectares ha (30.5%) of these lands currently have interim protection;
·    For IUCN categories I to IV, Canada has set aside 7.9% (78.9 M ha) of its lands and freshwaters;
·    20% of Canada’s ecozones are afforded greater than 20% protection, 40% have between 10% and 20% protection, and 40% have less than 10% protection;
·   The extent of protected areas in Canada varies considerably between different ecological regions of the country. 22.4% of the Arctic Cordillera ecozone is found within protected areas, compared with 8.4% of the Boreal Shield ecozone, and 1.1% of the Mixedwood Plain ecozone (Great Lakes - St. Lawrence Valley).
·   Three jurisdictions have set aside more than 10% of their area: British Columbia at 14.5%, Alberta at 12.5% and Yukon at 10.8% ;
·   Northwest Territories and Quebec have added the most area of new protected areas between 2000 and 2010 (23,011.437 and 12,551,481 hectares respectively);
·   Quebec and Newfoundland and Labrador have increased the most between 2000 and 2010 as a percent of what they had in 2000 (2009% and 342% respectively) (Environment Canada, 2009; Lee and Cheng, 2010)

In Canada, at federal level, there is not an official system of parks and protected established by law. Instead, many types of protected areas have been designed and managed by separated institutions based on specific acts and policies. Each has its own legislation, with different level of protection.

Summary of Canada’s Federal Protected Areas of National and International Recognition
  Recognition
Type
Steward
Legislation
Major Policy









National Recognition
National Parks and National Parks Reserve
Parks Canada Agency
National Parks Act
National Park System Plan
Gatineau Park
NCC
None
Gatineau Park Management Plan
National Historic Sites
Parks Canada Agency
Historic Sites and Monuments Act
National Historic Sites of Canada System Plan
National Marine Conservation
Areas
Parks Canada Agency
Canada National Marine Conservation
Areas Act
i) National Marine Conservation Areas Policy
ii) Sea to Sea to Sea –Canada’s National Marine Conservation Areas System Plan
Marine Protected Areas
Fisheries and Oceans Canada (DFO)
Oceans Act
i) National Framework for Establishing and Managing Marine Protected Areas
ii) Ocean Strategy
Migratory Bird Sanctuary

Environment Canada - Canadian Wildlife Service
Migratory Birds Convention Act:
Migratory Bird Sanctuary Policy, Criteria and
Procedures
National Wildlife
Areas
Environment Canada - Canadian Wildlife Service
Canada Wildlife Act:
i) Wildlife Policy for Canada
Criteria for Selecting Candidate National Wildlife Areas
Heritage Rivers
Parks Canada Agency (CHR Board Secretariat)
No new legislation, depend on existing laws and regulation
Canadian Heritage Rivers System (CHRS)


International Recognition
Wetlands of International Importance
Environment Canada
Canadian Wildlife Service
Convention on Wetlands of International Importance Especially as Waterfowl Habitat (Ramsar)

National Ramsar Program
Federal Policy on Wetland Conservation
World Heritage Sites
Parks Canada
World Heritage Convention
Tentative List for World Heritage Sites in Canada.
Biosphere Reserves
Environment Canada
None
The UNESCO World Biosphere Reserve Program
Source: compiled from several sources.    

Additionally, there are at least more 13 protected areas systems, being 10 provincial and three territorial.

Parks Canada is the major protected area agency, managing 42 parks, ranging in size from 8.7 km2 to 44,807 km2 and collectively covering an area of 224,466 km2, which represents 2.2% of the total area of Canada. 

Environment Canada is responsible for 51 National Wildlife Areas (NWAs) and 92 Migratory Bird Sanctuaries, to protect habitat for migratory birds, support wildlife or ecosystems at risk, or represent rare or unusual wildlife habitat or a biogeographic region. Fisheries and Oceans Canada manages eight marine protected areas (MPAs).

Forty-one rivers have been nominated to the Canadian Heritage Rivers System (CHRS), totalling almost 11,000 kilometres. Canada presently has 37 sites designated as Wetlands of International Importance (Ramsar Site), with a surface area of 13,066,675 hectares. On top of that, 16 Biosphere Reserve and 15 World Heritage Sites have been established. 

In 1992, Canada’s federal, provincial and territorial ministers of environment, parks and wildlife signed a Statement of Commitment to Complete Canada’s Network of Protected Areas, but the goals weren’t met

Major challenges related to protected areas plan and management are:

·      The needs for a national strategy and an up-to-date management plan;  
·      Insufficient human and financial resources; 
·    Pressures for development within the parks to accommodate the demands of visitors without damaging the ecosystems;
·      Visitor satisfaction improvement;
·     Keep national parks’ ecological integrity;
·   External threats management, such as invasion by exotic species, poaching, mining, logging, agriculture, urbanization, fire, water projects, hunting, tourism, acid precipitation, and chemical pollution;
·     Effects of climate change, in which several protected areas are project to experience a change in biome type (parks will no longer be representative of their natural region);
·   Research partnerships (Dearden, 2008, Dearden and Mitchell, 2009, Lemieux. and. Scott, 2005)

Sources

Dearden, P & Mitchell, B. I. (2009). Endanged Species and Protected Areas. In: ___.  Environmental Change and Challenge: A Canadian Perspective. Third Edition, Oxford University Press.

Dearden, P. (2008). Progress and Problems in Canada’s Protected Areas: Overview of Progress, Chronic Issues and Emerging Challenges in the Early 21st Century. Paper Commissioned for Canadian Parks for Tomorrow: 40th Anniversary Conference, May 8 to 11, 2008, University of Calgary, Calgary, AB.  Retrieved December 2, 2011, from University of Calgary Website: http://hdl.handle.net/1880/46957

Dudley, N. (Editor) (2008). Guidelines for Applying Protected Area Management Categories. Gland, Switzerland: IUCN.  x+ 86pp.

Dudley, N., Mulongoy, K.J., Cohen S, Stolton, S., Barber, C.V. & Gidda, S.B. (2005). Towards Effective Protected Area Systems. An Action Guide to Implement the Convention on Biological Diversity Programme of Work on Protected Areas. Secretariat of the Convention on Biological Diversity, Montreal, Technical Series no. 18, 108 pages.

Ecological Stratification Working Group (1995). A National Ecological Framework for Canada. Report and national map at 1:7 500 000 scale. Ottawa: Agriculture and Agri-Food Canada, Research Branch, Centre for Land and Biological Resources Research; and Hull: Environment Canada, State of the Environment Directorate, Ecozone Analysis Branch.

Environment Canada. (2008). Compendium of International Environmental Agreements. Gatineau, Quebec. Multilateral and Bilateral Relations Directorate. International Affairs Branch.

NRC. (2011). Protected Areas through Time In: ____. The Atlas of Canada. Natural Resources Canada. Retrieved December 10, 2011, from http://atlas.nrcan.gc.ca/site/english/maps/environment/protectedarea

Environment Canada. (2009). Canada’s 4th National Report to the United Nations Convention on Biological Diversity. Gatineau, Quebec. Ecosystems and Biodiversity Priorities Division.

Lee, P. and Cheng, R. (2010). Canada’s Terrestrial Protected Areas Status Report 2010: Number, Area and “Naturalness.” Edmonton, Alberta. Global Forest Watch Canada, 10th Anniversary Publication #6. 155 pp. The most updated source of Canada protected areas.   

Lemieux, C. and. Scott, D. J. (2005). Climate change, biodiversity conservation and protected area planning in Canada. The Canadian Geographer 49, no 4 (2005) 384–399

UNEP/CDB (2011). United Nation Decade of Biodiversity. Protected Areas Fast Facts. Retrieved December 8, 2011, from UNEP Website: